Future Health Index

Construindo sistemas de saúde para melhorar os resultados

Conclusões do Future Health Index Brasil

 

A análise do Future Health Index 2018[1] lança uma luz sobre os desafios que vêm sendo enfrentados por 16 países, à medida que trabalham para adotar em larga escala as inovações tecnológicas relacionadas a saúde. No Brasil, são várias as áreas identificadas como áreas de oportunidade de crescimento e avanços, incluindo a tecnologia de telessaúde, a ampla adoção da inteligência artificial no atendimento médico e a terapia guiada por imagem. Combinando dados da pesquisa principal com dados de terceiros provenientes dos 16 países, o FHI oferece dados estatísticos comparando as iniciativas de atendimento médico no Brasil às dos demais 15 países pesquisados, para proporcionar uma visão geral do desempenho do Brasil como um todo, em diversas áreas importantes.

Medida de Valor

 

O relatório FHI 2018 é composto de três capítulos, o primeiro dos quais apresenta um novo indicador de valor, a Medida de Valor. O indicador é baseado em três critérios: acesso ao atendimento médico, satisfação da população em geral e dos profissionais de saúde, eficiência no atendimento. Juntos, esses três critérios dão sustento à crença reinante de que os modelos de atendimento médico baseados em valor constituem a melhor solução para satisfazer as necessidades do atendimento médico em âmbito global, hoje e no futuro.

Essas três áreas principais determinam a Medida de Valor de um país: acesso, satisfação e eficiência. Para fins desse relatório, a pontuação de acesso de um país se baseia nos dados que respondem à seguinte pergunta: “Em que medida o atendimento médico nesse país é abrangente e economicamente viável? O custo acessível desempenha um papel importante na acessibilidade do atendimento. “Satisfação” é determinado pela resposta à pergunta: “Em que medida tanto a população em geral quanto os profissionais de saúde consideram seu sistema de saúde confiável e eficaz? A “eficiência” analisa os custos associados aos resultados para determinar se os modelos estão funcionando a um custo ideal.

A Medida de Valor do Brasil está abaixo da média de todos os países pesquisados, com as medidas de “satisfação” significativamente abaixo da média.

A medida de acesso reflete o grau de abrangência e viabilidade econômica do atendimento médico. Atualmente, existem 93 profissionais de saúde para cada 10.000 pessoas, em comparação com o valor médio de 109 profissionais de saúde. Além isso, os custos de cirurgia constituem um obstáculo considerável ao acesso, com os brasileiros correndo um risco duas vezes maior do que a média dos 16 países de contrair dívidas pesadas após procedimentos cirúrgicos (39% da população, frente a uma média de 16%).[2]

Embora os serviços de saúde estejam disponíveis gratuitamente para qualquer cidadão no Brasil e mais de 70% dos habitantes acessem esses serviços gratuitos(de acordo com estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito, SPC Brasil, e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, CNDL, em parceria com o Ibope), apenas 20% da população em geral e 8% dos profissionais da área concordam que o sistema de saúde no Brasil atende às suas necessidades ou de seus pacientes, respectivamente. Além disso, a confiança nas ferramentas de diagnóstico disponíveis causa grave preocupação: apenas cerca de metade dos profissionais de saúde (53%) e menos de 43% da população em geral acreditam que os sistemas de diagnóstico disponíveis sejam precisos.

 

Esse cenário proporciona uma excelente oportunidade de educar tanto os profissionais de saúde quanto a população em geral com relação à tecnologia de atendimento conectado e às diversas formas pelas quais a telessaúde, o atendimento remoto e o gerenciamento do estilo de vida podem aprimorar o cuidado aos pacientes. Na verdade, apenas cerca de 21% da população em geral do Brasil se considera bem informada sobre as tecnologias de atendimento conectado.

 

Coleta e análise de dados

 

Os dois capítulos seguintes do Future Health Index analisam dois facilitadores digitais de coleta e análise de dados — coleta, compartilhamento e análise de dados centrados no paciente em mais larga escala — e oferta de atendimento — inovações tecnológicas focadas em oferecer um melhor atendimento.

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Atualmente, no Brasil, as pontuações de coleta e análise de dados são afetadas negativamente pela falta de um sistema universal de EHR e pela baixa adoção das análises de dados (IA). Isso pode se dever, em parte, a uma fraqueza geral da infraestrutura tecnológica, o que também pode afetar o baixo índice de adoção da tecnologia vestível. Nesse sentido, o país está bem posicionado para investimentos na inovação desses sistemas. Embora o Brasil esteja abaixo da média de pontuação em relação a análises de dados, 25% da população geral do país e 30% dos profissionais de saúde são favoráveis ao uso de ferramentas de saúde habilitadas para IA que forneçam orientações, e acreditam que estas terão grande impacto no aprimoramento do atendimento médico atual. O governo brasileiro também tem demonstrado seu apoio, com seu recente compromisso de R$ 8,6 bilhões com a tecnologia e inovação em saúde como parte da iniciativa “Indústria 4.0”.[3]

 

Oferta de atendimento

 

A oferta de atendimento médico no Brasil oferece uma oportunidade particularmente excelente de aprimoramento, já que as pontuações de telessaúde e também de soluções diagnósticas e de tratamento estão bem abaixo da média dos 16 países. A falta de confiança na precisão das soluções diagnósticas, como mencionado anteriormente, pode dificultar sua adoção, enquanto o acesso ao atendimento remoto e à telessaúde também é limitado.

Embora as oportunidades de avanço existam, vale notar que as pessoas no Brasil adotaram amplamente os aplicativos pagos de dispositivos médicos conectados em casa e serviços de telemedicina, em uma proporção superior à média (0,0009 per capita frente a uma média de 0,0023). Isso corrobora ainda mais a hipótese de que, caso uma infraestrutura tecnológica estivesse disponível, a confiança na tecnologia e sua adoção poderiam melhorar de forma significativa.

O uso da tecnologia de telessaúde, como a videoconferência, o chat on-line e os portais de consultas virtuais, poderia ajudar a aliviar a carga dos hospitais superlotados e também contribuir para a pontuação de acesso em todo o país. Para alcançar uma adoção abrangente das práticas de telessaúde é necessário tanto uma infraestrutura tecnológica quanto educação.

As conclusões do Future Health Index Brasil 2018 lançam uma luz sobre os desafios e oportunidades de acesso, satisfação, confiança e muito mais, no que diz respeito ao atendimento médico em todo o país. Os baixos níveis de acesso e investimentos em tecnologia da saúde — que poderiam aprimorar a confiabilidade dos diagnósticos e o acesso ao atendimento remoto, além de reduzir os custos do atendimento médico, tanto para o governo quanto para a população em geral — contribuem para uma pontuação abaixo da média em algumas áreas cruciais. Isso também oferece uma excelente oportunidade de crescimento através do investimento em uma infraestrutura tecnológica eficiente, da adoção de ferramentas de inteligência artificial para facilitar a coleta e análise de dados e da educação, tanto da população em geral quanto dos profissionais de saúde.

Atualmente, no Brasil, as pontuações de coleta e análise de dados são afetadas negativamente pela falta de um sistema universal de EHR e pela baixa adoção das análises de dados (IA). Isso pode se dever, em parte, a uma fraqueza geral da infraestrutura tecnológica, o que também pode afetar o baixo índice de adoção da tecnologia vestível. Nesse sentido, o país está bem posicionado para investimentos na inovação desses sistemas. Embora o Brasil esteja abaixo da média de pontuação em relação a análises de dados, 25% da população geral do país e 30% dos profissionais de saúde são favoráveis ao uso de ferramentas de saúde habilitadas para IA que forneçam orientações, e acreditam que estas terão grande impacto no aprimoramento do atendimento médico atual. O governo brasileiro também tem demonstrado seu apoio, com seu recente compromisso de R$ 8,6 bilhões com a tecnologia e inovação em saúde como parte da iniciativa “Indústria 4.0”.[3]
Atualmente, no Brasil, as pontuações de coleta e análise de dados são afetadas negativamente pela falta de um sistema universal de EHR e pela baixa adoção das análises de dados (IA). Isso pode se dever, em parte, a uma fraqueza geral da infraestrutura tecnológica, o que também pode afetar o baixo índice de adoção da tecnologia vestível. Nesse sentido, o país está bem posicionado para investimentos na inovação desses sistemas. Embora o Brasil esteja abaixo da média de pontuação em relação a análises de dados, 25% da população geral do país e 30% dos profissionais de saúde são favoráveis ao uso de ferramentas de saúde habilitadas para IA que forneçam orientações, e acreditam que estas terão grande impacto no aprimoramento do atendimento médico atual. O governo brasileiro também tem demonstrado seu apoio, com seu recente compromisso de R$ 8,6 bilhões com a tecnologia e inovação em saúde como parte da iniciativa “Indústria 4.0”.[3]

Referências:

1. Building systems for better outcomes. (2018). Resgatado em https://www.futurehealthindex.com/report/2018/
2. Banco Mundial. (2014).
Isso pode ser definido como a proporção da população que corre o risco de incorrer em gastos empobrecedores quando procedimentos cirúrgicos são necessários. Gastos empobrecedores são definidos como pagamentos efetuados pelos próprios pacientes para cobrir procedimentos cirúrgicos e anestesia, que podem levar as pessoas a um limiar abaixo da linha da pobreza (usando um limiar de US$ 1,25 PPC/dia).
3. “Indústria 4.0” terá crédito de R$ 8,6 bi. (14 de março de 2018) Resgatado em http://eletrolar.com/industria-4-0-tera-credito-de-r-86-bi/
Fonte: Valor Econômico