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The future of healthcare is not about machines, but about humanity

mar 25, 2026

O futuro da saúde não é sobre máquinas, é sobre humanidade

Aprendi algo ao longo dos anos: as inovações mais poderosas na área da saúde não começam com a tecnologia. Elas começam com uma pessoa. Quando me tornei o oitavo líder global de design da Philips em um século de história, não herdei apenas um legado. Herdei uma responsabilidade. Por mais de 130 anos, a Philips ajudou a melhorar vidas por meio da inovação. Mas hoje, a inovação por si só não é suficiente. Precisamos restaurar a humanidade no atendimento.


No Brasil, o Philips Future Health Index 2025 revela que os profissionais de saúde estão sob pressão crescente devido à escassez de mão de obra, ao aumento da demanda e à complexidade administrativa, limitando o tempo que podem dedicar ao atendimento ao paciente. Esse é o verdadeiro desafio. Não “que tecnologia podemos construir?”, mas “como podemos devolver tempo e conexão ao atendimento?”.

Inovação deve começar com empatia

A tecnologia por si só não resolve os problemas da área da saúde. A empatia sim. Empatia significa compreender profundamente como é ser um paciente. Ou uma enfermeira no final de um turno de 12 horas. Ou um radiologista lidando com a complexidade do fluxo de trabalho. Na Philips, a empatia não é um valor secundário. É o princípio básico do design. É como transformamos a complexidade em clareza e a ineficiência em experiências fluidas.

Empatia na era da IA

Vivemos em uma época em que quase qualquer pessoa pode criar um protótipo em poucos minutos. A inteligência artificial democratizou a criação. A habilidade técnica não é mais o diferencial. A empatia é.


A IA pode gerar ideias. Ela não consegue sentir medo antes de uma ressonância magnética. Não consegue perceber o esgotamento em uma enfermaria de hospital. Não consegue julgar sozinha as compensações éticas. Por isso, empatia, julgamento e responsabilidade estão se tornando nossas verdadeiras vantagens competitivas. Para nós, isso significa trabalhar de trás para frente, partindo das necessidades reais do cliente. Não se trata do recurso, nem do problema, mas da experiência humana.


Um exemplo poderoso dessa abordagem que me é muito caro é o que fizemos com a ressonância magnética pediátrica. Pesquisas mostram que até 45% das crianças precisam de sedativos para realizar o exame porque têm medo. Em vez de nos concentrarmos apenas em otimizar o equipamento, redesenhamos a experiência. Por exemplo, criamos o “Kitten Scanner”, uma versão em miniatura do equipamento onde as crianças “brincam” de fazer o exame. Incluindo um aplicativo que elas podem usar para se preparar em casa. As crianças se tornam parte da história, mas como heroínas e não as vítimas. O resultado foi imediato: menos medo, menos sedação e melhores resultados clínicos. A inovação não foi técnica, foi emocional.

Empatía en la era de la IA

Design para além da estética

O design na Philips não se refere à aparência dos produtos. Trata-se de como eles funcionam na vida real. 


Para os profissionais de saúde, a prototipagem rápida e a IA reduziram os ciclos de desenvolvimento de meses para semanas. Usamos dados preditivos para detectar a deterioração clínica horas antes que ela aconteça, permitindo uma intervenção precoce que pode salvar vidas.


Para os pacientes, estamos levando os cuidados de saúde para suas casas. Por exemplo, adesivos remotos para ECG permitem a recuperação em ambientes familiares, onde as pessoas dormem melhor e se recuperam mais rapidamente.


Já para os consumidores, a personalização é fundamental. Grandes modelos de linguagem e dados de saúde nos ajudam a projetar sistemas intuitivos, confiáveis e relevantes em toda a jornada de cuidados. Estamos mudando da medicina reativa para a saúde preditiva.

Rumo a um design centrado no ser humano

Devemos pensar ainda mais alto. Ao olharmos para o futuro, devemos expandir nossa visão do design centrado no ser humano para o design centrado na humanidade. O design centrado no ser humano concentra-se no indivíduo. O design centrado na humanidade faz uma pergunta mais ampla: qual é o impacto a longo prazo de nossas soluções na sociedade e no planeta?

Hacia un diseño centrado en la humanidad

A saúde é responsável por cerca de 5% das emissões globais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Ela utiliza grandes quantidades de matérias-primas e energia. A infraestrutura de IA consome uma quantidade enorme de energia. Empatia significa reconhecer essa responsabilidade.


É por isso que projetamos sistemas de ressonância magnética que reduzem o uso de hélio e agora consomem 32% menos energia em todo o portfólio. Sistemas de ultrassom que consomem significativamente menos energia. Embalagens que reduzem o desperdício. A sustentabilidade deve ser incorporada desde o início, não adicionada no final. 

O novo papel da liderança

À medida que a IA evolui, as interfaces estão desaparecendo. Os sistemas funcionarão cada vez mais de forma invisível, por meio da voz e da automação. O papel do designer mudou, portanto, nós não criamos mais apenas telas, nós moldamos sistemas. E esses sistemas devem ser éticos, confiáveis e profundamente humanizados.


Meu desafio para o setor é: em um mundo de aceleração tecnológica frenética, ainda estamos reservando tempo para reflexão? A verdadeira inovação não vem de um planejamento interminável, mas sim da construção, do teste, da escuta e da interação. 


Se o que projetamos não dá aos profissionais de saúde mais tempo e presença com seus pacientes, perdemos o foco. 


O futuro da saúde não tem a ver com máquinas. Tem a ver com restaurar o tempo. Tem a ver com restaurar a complexidade. Tem a ver com restaurar a humanidade. E é aí que o design deve começar.

Tempo de leitura previsto: 2-4 minutos

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Autor

felipe basso

Felipe Basso

Diretor Geral

Philips América Latina

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