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Masthead blog Roy Jakobs
jan 13, 2021

Como redefinir o fluxo para alcançar onde e quando os cuidados são prestados

Por Roy Jakobs
Líder de Negócios Connected Care, Philips

Tempo estimado de leitura: 10-12 minutos

Há um ano, eu estava realizando uma coletiva de imprensa no Consumer Electronics Show de Las Vegas, um dos eventos tecnológicos mais influentes do mundo e, conforme descrição dos organizadores, o campo de provas para tecnologias inovadoras. Eu estava lá representando o portfólio de saúde pessoal da Philips, cujo destaque eram as grandes inovações para os cuidados em casa. Pouco depois, eu fui encarregado de uma nova missão: conectar os diversos pontos de cuidados dentro do ambiente hospitalar, mas também além, incluindo o manejo agudo e crônico do atendimento ao paciente dentro de casa. 

 

Entramos em 2021 afundados em uma crise global de saúde pública que exacerbou um ambiente que já estava muito pressionado. A promessa de uma vacina não começa a resolver nossos problemas holísticos: as doenças crônicas estão expandindo, a escassez de pessoal está aumentando e uma população complexa e cada vez mais velha está crescendo. Para piorar ainda mais esse quadro, tivemos uma outra crise se formando à medida que os hospitais lidam com os surtos de Covid-19: o pronto-socorro e as consultas de rotina diminuíram devido às preocupações dos pacientes com a transmissão do vírus. Reconhecemos essa situação porque já passamos por algo semelhante. 

 

Dez semanas após a declaração de emergência nacional da Covid-19 em 2020, as visitas ao PS para infartos e derrame caíram 23% e 20%, respectivamente [1]. Embora isso possa parecer uma coisa boa para um sistema de saúde sobrecarregado, significa que os pacientes estão evitando os cuidados necessários, o que pode levar a uma segunda crise que irá sobrecarregar os sistemas de saúde. Não podemos adotar uma abordagem de “esperar para ver”. A solução é atender proativamente os pacientes onde eles estão, criando conexões significativas entre médico e paciente de dentro de suas casas e efetivamente ajudar a orientar as transições de cuidados. 

 

Estamos em um momento crucial para poder conectar o atendimento entre os diversos ambientes de saúde. Transições eficazes de cuidados podem ser altamente influentes nos resultados de um paciente, e cabe a nós ajudar a garantir que essas mudanças não nos levem a pontos cegos. Mais do que nunca, a informática da saúde, como a integração de dados e a inteligência artificial, pode proporcionar uma gestão conectada dos cuidados ao paciente quando e onde os cuidados são prestados – ajudando a manter as pessoas fora do hospital, melhorando os resultados para os pacientes que recebem alta e ajudando os sistemas de saúde a gerenciar os recursos e o fluxo de usuários. 

Transições do cuidado dentro do hospital

 

A adoção exponencial durante a pandemia colocou a telessaúde em destaque, mas muitas pessoas ainda equiparam esse recurso à possibilidade de fazer uma chamada de vídeo com um médico do conforto de nossas casas. Mas o poder da integração robusta de dados permite muito mais: um novo modelo de atendimento virtualmente orientado que fornece aos médicos acesso a insights e tendências significativas dos pacientes quando e onde eles precisam. A inteligência que resulta da coleta, análise e representação de dados, que permite aos profissionais de saúde agir com confiança, desempenha um papel fundamental na gestão dos cuidados dos pacientes mais doentes e nas decisões de alocação de recursos dentro dos hospitais. Esses insights são determinantes para definirmos o ambiente de cuidado mais adequado para um paciente, assim como o momento ideal para ativar essa transição. Ao oferecer uma visão holística e baseada em dados da jornada de um paciente, os médicos podem efetivamente decidir onde um paciente terá os melhores resultados. 

 

Aproveitando esses insights, os sistemas de saúde estão agora implementando modelos centralizados de centro de comando para melhorar as transições de cuidado. Ao gerar análises em tempo real e recomendações proativas, as soluções de cuidado centralizadas podem ajudar a garantir que os pacientes sejam transicionados para o ambiente de cuidados mais adequado. Por exemplo, tele-UTIs, lideradas por uma equipe intensivista em uma central de monitoramento que funciona de forma semelhante a um centro de controle de tráfego aéreo, pode estender recursos de cuidados críticos para o leito, não importa onde o hospital esteja. Com a captura de dados sensíveis ao tempo, essa equipe intensivista pode ser responsável por 50 a 1.500 leitos remotos de UTI por vez, intervindo rapidamente caso os dados e tendências indiquem sinais precoces de deterioração.

 

Particularmente durante a pandemia, as soluções de tele-UTI tornaram-se absolutamente essenciais na resposta aos surtos nas UTI de muitos de nossos clientes. Os gestores hospitalares rapidamente descobriram que a capacidade da telessaúde de acessar pacientes remotamente não se aplicava somente a quilômetros de distância, mas também a cinco metros de distância. Ao estender as capacidades de monitoramento para além da cabeceira, os médicos poderiam evitar entrar repetidamente nos quartos de um paciente com Covid-19, sem perder de vista o quadro de saúde dessa pessoa. 

 

As ferramentas de monitoramento e apoio para decisões clínicas habilitadas para IA também podem ajudar a orientar as transições de cuidados, transformando dados em insights acionáveis e digestíveis. Seja no leito ou fora do hospital, os médicos podem acessar uma visão holística da condição do paciente e capturar tendências rapidamente para identificar quem está apto a ser transferido para outro ambiente de atendimento, ou fazer a transição para fora do hospital, fornecendo supervisão de ponta a ponta. Soluções de telessaúde que capacitam a equipe com captura contínua, visualização avançada e análise preditiva de dados permitem um atendimento proativo e não reativo e orientam intervenções oportunas. 

Transições mais fluidas do hospital para casa


Antes da pandemia, o atendimento preventivo domiciliar via telessaúde já ajudava a reduzir as reinternações. Agora, à medida que os hospitais se encontram cada vez mais sobrecarregados, a capacidade de enviar os pacientes para casa com serviços de nível hospitalar é essencial para garantir a liberação segura e oportuna. Soluções interoperáveis baseadas em nuvem que pautam decisões baseadas em dados podem permitir que os médicos monitorem o quadro de saúde dos pacientes e detectem problemas antes que seja necessária a reinternação. Ao transmitir regularmente dados críticos dos pacientes por meio de dispositivos conectados e traduzi-los em insights acionáveis relevantes, o gerenciamento remoto de pacientes ajuda a manter os pacientes longe do hospital, se possível, podendo limitar o risco de exposição de pacientes e médicos ao vírus. 

 

Vimos nossos clientes implantarem tecnologias para ajudar a gerenciar pacientes com Covid-19 que podem não precisar de cuidados intensivos, mas precisam de monitoramento de rotina. Por exemplo, pacientes que recebem alta hospitalar, têm sintomas de Covid-19 ou suspeitam ter Covid-19, podem usar biossensores adesivos que permitem monitoramento fácil e contínuo em casa. Essas soluções coletam dados de um amplo conjunto de sinais vitais e biometria fisiológica em intervalos de um minuto por até 30 dias – desde temperatura da pele, frequência cardíaca e respiratória em repouso, níveis de atividade, frequência de tosse e assim por diante. Esses dados podem então ser agregados e alimentados diretamente aos médicos para tomar decisões informadas sobre a sequência de cuidados, permitindo uma gestão proativa da condição de um paciente em casa e reduzindo o risco de reinternação. 

Ativação do hospital em casa


Com a variação no número de casos de Covid-19, enfrentamos duas situações críticas de pacientes que necessitam de atendimento: aqueles que evitam cuidados hospitalares por medo de infecção e aqueles cujos hospitais têm dificuldades de atendê-los devido a restrições de recursos, como a disponibilidade de leitos. 

 

Vimos regulamentos federais abrirem caminho para a entrega a domicílio de cuidados críticos, com o anúncio recente do Center of Medicare & Medicaid Services, dos EUA, sobre flexibilizações no atendimento hospitalar em casa por meio da telessaúde, como parte do programa “Cuidados Hospitalares Intensivos em Casa”. Esse movimento é resultado dos crescentes exemplos de serviços de cuidados intensivos que estão sendo prestados em casa com o monitoramento adequado do paciente. Para aqueles com condições crônicas, essa abordagem ampliada para o gerenciamento de fases intensivas das doenças permitirá que os pacientes sejam tratados em casa por meio de dispositivos wearables de nível hospitalar e da integração de dados. Ao ativar o monitoramento e a gestão das fases intensivas dentro de casa, os médicos podem determinar se e quando a transição para um ambiente clínico é necessária. 

 

Pensando em cuidados proativos para ajudar a manter os pacientes com condições crônicas fora do hospital, em primeiro lugar, o gerenciamento remoto e algoritmos preditivos podem fornecer aos médicos uma visão holística de um paciente para ajudar a preencher as lacunas nos dados entre as consultas. De fato, até 2022, 60% dos planos de tratamento de doenças crônicas envolverão monitoramento remoto de pacientes [2].

 

Por exemplo, os médicos poderão empregar algoritmos preditivos usando dados de aparelhos CPAP do telemonitoramento para ajudar a prever a adesão entre seus pacientes com apneia do sono, permitindo a identificação dos indivíduos com risco de não adesão mais cedo e a oferta de apoio para melhorar a adesão e, em última instância, os resultados. A Covid-19 também aumentou a necessidade de cuidados domiciliares para pessoas com doenças respiratórias. Uma pesquisa recente revelou que a Covid-19 dificultou o acesso ao tratamento para 56% dos pacientes com DPOC. Dar aos pacientes e seus cuidadores ferramentas para navegar o cuidado respiratório domiciliar não apenas garante a continuidade dos cuidados, mas também libera leitos hospitalares, economiza EPI, protege pacientes vulneráveis de outros vírus e evita reinternações. 

 

A visibilidade que essas tecnologias conectadas permitem aos profissionais é inestimável para orientar decisões afirmativas sobre o ambiente de cuidado mais adequado para cada paciente e quando a intervenção pode ser necessária.

Estender o alcance para onde e quando os cuidados são prestados


Redefinir onde e como as transições de cuidado ocorrem faz parte da redefinição da prestação de cuidados em geral – tudo com o objetivo de melhorar a experiência do paciente e os resultados do atendimento, reduzir os custos e melhorar a vida profissional dos profissionais de saúde. A saúde não precisa ser definida pelas paredes dos lugares onde os cuidados são prestados. Por meio da integração eficaz de dados, ferramentas de suporte a decisões clínicas habilitadas para IA e dispositivos wearables, a proximidade física entre o paciente e o profissional de saúde pode ser desassociada da noção do que significa um cuidado de qualidade. 

 

Os prêmios de inovação conquistados pela Philips no CES deste ano contam essa história de uma indústria transformada para sempre: uma UTI modular para ampliar a capacidade em um surto, o monitoramento remoto de pacientes no hospital para reduzir a exposição dos funcionários a infecções e reinternações de UTI, e o primeiro e único seletor de máscaras CPAP validado clinicamente que permite o ajuste remoto em 2D. A pandemia mostrou nossa resiliência e a nossa crescente dependência em estratégias de telessaúde. Com as soluções certas, o cuidado não precisa ser definido por um lugar, mas sim pelas necessidades e a condição do paciente. Ampliar o alcance do atendimento ao paciente por meio da tecnologia significa que capacitamos os profissionais a orientar assertivamente os pacientes sobre diversos ambientes e transições de cuidados, gerando melhores resultados e, em última instância, fortalecendo o sistema de saúde de que precisamos urgentemente. 

 

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Referências:

[1] Potenciais efeitos indiretos da pandemia da Covid-19 no uso de prontos socorros para condições graves envolvendo risco de vida – Estados Unidos, janeiro - maio de 2020

 

[2] Guia de mercado Gartner para soluções de cuidados virtuais. Acesso em 9 de novembro de 2020.https://www.gartner.com/doc/reprints?id=1-24GWT8KN&ct=201027&st=sb

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Roy Jakobs

Roy Jakobs

Chief Business Leader Connected Care

Roy Jakobs is Executive Vice President and Chief Business Leader for the Connected Care businesses of Royal Philips, effective January 28, 2020. He is also a member of the Executive Committee of Royal Philips. Connected Care comprises the Connected Care Informatics, Monitoring & Analytics, Population Health Management, Sleep & Respiratory Care and Therapeutic Care businesses. Prior to this, Roy led Philips’ Personal Health businesses.

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