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ago 02, 2021

Atendimento virtual em um mundo pós-pandemia: três prioridades fundamentais para os líderes do setor de saúde

Roy Jakobs
Chief Business Leader Connected Care na Philips

Tempo estimado de leitura: 5-7 minutos

Quando analisamos um mundo pós-pandemia, percebemos que os líderes do setor de saúde estão se perguntando: O que devemos fazer para transformar a tecnologia à qual recorremos em tempos de crise em soluções eficientes, sustentáveis e seguras que impulsionem a qualidade e um atendimento proativo?

Imagino que três prioridades serão fundamentais para os líderes do setor de saúde à medida que se preparam para tornar permanente o surgimento do atendimento virtual como um atendimento padrão: informática e integração de dados, para fornecer atendimento médico em qualquer lugar; redes de TI seguras e interoperáveis; e a adoção de uma abordagem de plataforma baseada em nuvem para maior flexibilidade e escalabilidade.

Informática inteligente para alimentar o atendimento médico em qualquer lugar

 

Durante a pandemia, nossos clientes em todo o mundo perceberam que, com as soluções certas, o atendimento não precisa ser definido por um lugar, mas sim pelo paciente e sua condição. O poder não está nos recursos de áudio ou vídeo, mas na inteligência obtida por meio da coleta, análise e representação dos dados para uso dos médicos.

Os líderes do setor de saúde estão profundamente focados no desenvolvimento de estratégias de atendimento virtual que possam ir além das consultas de rotina, explorando um atendimento do paciente orientado à sua condição oferecido fora de um cenário clínico. Nosso relatório Future Health Index 2021, que entrevistou quase 3.000 líderes do setor de saúde em 14 países, constatou que esses líderes esperam que, em média, 23% dos atendimentos de rotina ainda estejam ocorrendo fora dos limites de um hospital daqui a três anos, e afirmam que a próxima fronteira será estender o atendimento em tempo real às pessoas com necessidades urgentes e ao manejo de condições crônicas.

 

Para pacientes com urgências graves, que, tradicionalmente, precisavam ser internados e consistentemente incluídos nas rondas médicas, em breve serão capazes de tirar proveito de soluções conectadas que possam monitorar essas fases do atendimento intensivo em casa, ajudando a liberar os médicos da presença obrigatória à beira do leito. Os dispositivos de grau médico equipados com integração segura de dados podem ajudar a garantir que os provedores de atendimento permaneçam bem-informados e atualizados e orientem uma tomada de decisão confiante quanto a se um paciente precisa ser atendido presencialmente ou internado. Ao adotar uma abordagem com visão 360° para o atendimento de urgência — monitorando os pacientes da pré-internação ao pós/alta —, os profissionais de saúde podem ajudar a manter os pacientes em um ambiente mais confortável, com menor custo e melhor alocação de recursos de acordo com o risco.

 

No que se refere ao manejo de doenças crônicas, há uma necessidade imediata de restaurar o envolvimento com pacientes portadores de doenças crônicas que adiaram seu atendimento durante a COVID-19 e ativar o acesso a intervenções oportunas antes que os problemas de saúde se agravem. Por exemplo, os portadores de DPOC podem usar ventiladores conectados que enviam dados para uma plataforma de software baseada em nuvem, que, por seu lado, mantém as equipes de atendimento bem-informadas e capazes de individualizar o apoio. Pacientes com suspeita de arritmia cardíaca podem ser monitorados continuamente — com a detecção de arritmias como fibrilação atrial — em tempo hábil, no conforto de sua própria casa. Os pacientes podem se manter motivados a aderir ao seu tratamento e, ao mesmo tempo, se beneficiar das vantagens de um monitoramento conveniente e passivo.

Senior with Tablet
A crescente descentralização do atendimento vem acrescida de uma evolução da nossa conexão humana enquanto pacientes e profissionais de saúde. Há uma curva natural de aprendizado no que se refere à compreensão dessas novas dinâmicas e preferências, tanto para os pacientes quanto para os provedores de atendimento. Enquanto alguns podem estar ansiosos para se comunicar virtualmente, outros podem estar indecisos ou preferir consultas presenciais. Os provedores de atendimento precisarão cada vez mais atender os pacientes onde eles estão e personalizar suas abordagens para se adaptar a como e quando um paciente deseja receber atendimento. A melhor forma de facilitar essa mudança é facultar o acesso do provedor de atendimento a uma visão longitudinal da saúde holística de um paciente, alimentada por um “backbone” de informática confiável que favorece a colaboração e uma tomada de decisões confiante. O resultado é que os pacientes se consultam com os profissionais de saúde nos pontos certos ao longo de sua jornada de tratamento.

Ao comparecer a cada conversa, seja virtual ou presencial, dispondo de uma visão abrangente das interações de um paciente com um número crescente de pontos de acesso ao atendimento, os profissionais de saúde podem aprimorar tanto a participação quanto a confiança clínica do paciente e, o mais importante, favorecer uma melhor experiência para o clínico e para o paciente.

Implantar soluções de interoperabilidade e seguras

 

Embora vislumbremos essa visão avançada do atendimento de urgência e de pacientes crônicos, as organizações precisam de uma infraestrutura consistente de compartilhamento de dados e de um padrão para que as tecnologias funcionem juntas nas diversas plataformas e locais e possam ser bem-sucedidas. O relatório Future Health Index 2021 constatou que duas das maiores barreiras à adoção de tecnologias digitais em saúde são as dificuldades relativas ao gerenciamento de dados (44%) e a falta de interoperabilidade e de padrões de dados nas diversas plataformas de tecnologia (37%). O futuro do atendimento virtual depende de soluções seguras, independentes de fornecedor e bem integradas que transformem dados díspares em insights acionáveis.

Além disso, as organizações precisam se certificar de que contam com a infraestrutura certa instalada para proteger o fluxo contínuo de dados, sob pena de correrem o risco de enfrentar lacunas cruciais no atendimento ao paciente e até mesmo violações de segurança. Tirar proveito de APIs abertas e de padrões aprovados, como o IHE-HL7, pode ajudar a facilitar a troca de dados entre diversas fontes e fornecedores em todo o continuum de atendimento, para que os profissionais de saúde possam proporcionar o atendimento certo, no momento certo, com atrito mínimo. Ao garantir a interoperabilidade das tecnologias entre plataformas e localizações geográficas, os sistemas de saúde podem proteger melhor os dados que fluem por todo o sistema e fornecer maior segurança contra ataques mal-intencionados. Os sistemas de saúde precisam de um parceiro que adote uma abordagem proativa para proteger dados de saúde confidenciais nos diversos dispositivos, sistemas e cenários de atendimento para que os administradores, profissionais de saúde e pacientes tenham confiança na forma como o atendimento é prestado.

 

Sistemas integrados e seguros são particularmente importantes nos cenários de UTI. Por exemplo, sem um “backbone” reforçado para uma integração tranquila dos dados, intensivistas e clínicos podem ver apenas o que está acontecendo à sua frente, ao invés de tomarem decisões bem-fundamentadas com base em uma visão holística da saúde de um paciente. O atendimento remoto aos pacientes de UTI, conhecido como tele-UTI, conta com uma captura de dados contínua, visualização avançada de dados e análises preditivas que permitem um atendimento proativo, não reativo, e ajudam a detectar mais rapidamente as tendências de deterioração do paciente.

 

O poder das soluções interoperáveis vai muito além de aumentar a quantidade de dados: trata-se também da qualidade dos dados que irão alimentar a inovação futura. Ao romper as paredes dos silos de dados e agregar esses dados em grandes insights acionáveis de pacientes, podemos abrir caminho para mais inovações — como a inteligência artificial — que aumentem a confiança na tomada de decisões clínicas.

 

Um sistema de saúde desenvolvido para ser verdadeiramente interoperável e seguro é um sistema de saúde que favorece e garante a tranquilidade da jornada de um paciente pelos diversos cenários de atendimento, além de ser capaz de evoluir para atender às necessidades do futuro em ritmo de constante mudança.

Favorecer a escalabilidade por meio de plataformas digitais de saúde

 

Uma peça crucial do quebra-cabeça é proporcionar aos sistemas de saúde a flexibilidade de implementar e explorar ferramentas virtuais de forma gradual. Por esse motivo as organizações de saúde estão se voltando cada vez mais para soluções escaláveis baseadas em nuvem, que não apenas facilitam uma adoção mais rápida dos novos recursos, mas também criam um custo total de propriedade transparente.

As estratégias de atendimento virtual não podem ser usadas como um curativo por cima de soluções fragmentadas, novas ou existentes, que funcionam em silos. Para serem bem-sucedidos, os provedores de atendimento precisam buscar uma abordagem de plataforma que conecte o atendimento ao longo dos diversos cenários clínicos e esteja equipada com aplicativos desenvolvidos para uma finalidade específica que se adaptem às suas necessidades únicas. Além de permitirem inovações mais rápidas, as plataformas em nuvem também reduzem a necessidade de manutenção de TI, padronizam os níveis de serviço e seu uso e permitem aos provedores de atendimento ampliá-las rapidamente de acordo com a necessidade. Com inteligência incorporada, os provedores de atendimento podem obter um apoio aprimorado às decisões clínicas.

No mesmo viés, testemunhamos o aumento da popularidade dos modelos de software como serviço como o monitoramento empresarial, um modelo previsível baseado em consumo que padroniza a tecnologia de monitoramento das redes hospitalares e fornece os serviços clínicos e técnicos necessários para que aprimorem seu desempenho e seus desfechos. Esses modelos são capazes de padronizar e ampliar o monitoramento do paciente de forma economicamente viável, algo que foi particularmente crucial durante a COVID-19.

O atendimento virtual chegou para ficar, mas temos trabalho a fazer

 

O uso do atendimento virtual disparou durante a COVID-19 por mera necessidade, mas essas novas soluções podem ser muito mais do que ajustes apressados. Criar espaço para uma forma totalmente nova de prestar atendimento, porém, é um problema complexo. A solução está na informática inteligente, que estende o atendimento para além dos limites do hospital e garante uma transferência de dados suave e segura, além de equipar as organizações com ecossistemas conectados escaláveis. O atendimento virtual chegou para ficar, mas serão necessários esforços conjuntos para reimplantar essas soluções na forma de modelos de prestação de atendimento que aprimorem a coordenação do atendimento para os pacientes.

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Roy Jakobs

Roy Jakobs

Chief Business Leader Connected Care

Roy Jakobs is Executive Vice President and Chief Business Leader for the Connected Care businesses of Royal Philips, effective January 28, 2020. He is also a member of the Executive Committee of Royal Philips. Connected Care comprises the Connected Care Informatics, Monitoring & Analytics, Population Health Management, Sleep & Respiratory Care and Therapeutic Care businesses. Prior to this, Roy led Philips’ Personal Health businesses.

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