out 30, 2019

Desafios da saúde suplementar e perspectivas futuras

Tempo estimado de leitura: 3-5 Minutos

É fato que a saúde suplementar no Brasil passou por diversas modificações e reestruturações ao longo dos anos, contudo, mudanças ainda devem ser feitas para que as relações entre usuários e operadoras sejam benéficas.

Se apenas uma parte está satisfeita com o modelo adotado é sinal que mudanças precisam acontecer. Diante do cenário da saúde suplementar, é essencial que nos questionemos quanto ao futuro das operadoras de saúde e do próprio setor no país e avancemos com a discussão entre os beneficiários, operadoras, prestadores de serviços e o governo.
 

É essencial a implantação de medidas que permitam reduzir o uso excessivo de tecnologias de alto custo para a gestão de doenças e tratamentos, visto que os custos assistenciais estão elevados e não acompanham os reajustes realizados nas mensalidades dos planos, esse fato já causa uma grande crise no setor com a elevação da sinistralidade. Aliado a isso, cada vez mais a cobertura de procedimentos de alta complexidade e custo estão sendo incluídos no rol de procedimentos obrigatórios expedidos pela ANS, e as operadoras não conseguem arcar com todos esses custos.
 

A partir de todo esse cenário de mudanças que ocorreram, ainda é necessário que muitas outras aconteçam, e estes são desafios a serem alcançados, discutidos e colocados em prática para a melhora do setor.

Redução de sinistralidade

Faz-se necessário aperfeiçoar os instrumentos já implantados e utilizados, ampliando a sua efetividade, ajustando os impactos no gerenciamento do sistema de saúde suplementar, a fim de garantir uma melhoria constante e uma redução na sinistralidade da operadora.
 

A mudança emergencial está relacionada ao modelo de pagamento hoje comumente praticado por grande parte dos prestadores de serviços de saúde, que é conhecido por fee for service (Pagamento por Serviço), onde o profissional da saúde recebe de acordo com a quantidade de consultas, sessões ou terapias que realiza, esse modelo traz menores resolutividades e aumento significativo do número de procedimentos. Já o modelo baseado na qualidade do atendimento, trabalhado há mais de 10 anos em países como Estados Unidos e Reino Unido, buscam o pay for performance (pagamento por performance), na qual importantes indicadores aferem itens como: Resolutividade, índice de satisfação, taxa de retorno com mesma patologia, entre outros. Com base nessas informações existem ainda duas fórmulas de cálculo no pagamento por performance: a primeira efetua bônus em pagamento conforme indicadores que são atingidos, e a segunda penaliza pagamentos através de erros médicos, e/ou indicadores aquém do esperado.
 

Outro importante fator que vai ao encontro do controle de custos das operadoras, é o Registro Eletrônico de Saúde ( RES ), cujo objetivo é a centralização das informações do paciente de diferentes prontuários eletrônicos em única base de dados, permitindo que através do consentimento do paciente, exista um compartilhamento dessas informações para maior assertividade em próximos tratamentos e/ou diagnósticos que busque a promoção à saúde.

Futuro

Estratégias de melhoria ainda devem ser desenvolvidas. Além das anteriormente dispostas, faz-se necessário a implantação de outras ferramentas como medicina preventiva, verticalização, ampliação dos desenvolvimentos tecnológicos com práticas de mapeamento genético, gamificação da gestão em saúde e IoT conhecida como a internet das coisas.
 

Não devemos esquecer do papel preponderante da ANS junto à população para mitigar contratos que estejam descumprindo qualquer artigo da legislação vigente. Diante disso, a saúde suplementar tem diversos desafios a serem alcançados e muitos deles dependem da uma interação entre todos os interessados nesse setor.
 

Com isso, observamos que o futuro das operadoras de saúde neste cenário atual é incerto, pois, se discussões quanto ao modelo atual não forem para a agenda do governo, a situação será insustentável e acarretará na falência da saúde suplementar no Brasil trazendo consequências para todo sistema de saúde no país, pois o SUS não tem capacidade de atender todos os usuários de planos de saúde neste momento.

O conteúdo deste artigo é de responsabilidade de seu respectivo autor e não corresponde, necessariamente, à opinião da Philips.

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Autor

Victoria Davies

Jefferson Israel Testi


Especialista de Informação em Saúde
Unimed Regional Maringá
Victoria Davies

Igor Del Grossi


Coordenador de Desenvolvimento Estratégico
Unimed Regional Maringá

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