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A casa como hospital do futuro? Entrevista com Highmark Health

ago 08, 2023 - Tiempo de lectura: 6-8 minutos

Em uma série de artigos, mergulhamos nas tendências futuras dos serviços de assistência médica. Nesta edição, para abordarmos o papel cada vez mais relevante do atendimento médico domiciliar e comunitário, conversamos com Monique Reese, DNP, vice-presidente sênior de atendimento médico domiciliar e comunitário da Highmark Health, instituição nacional de saúde e bem-estar e segundo maior sistema integrado de prestação e financiamento dos EUA. 

hospital at home

O relatório Philips Future Health Index 2023 mostrou a visão dos líderes da saúde sobre os novos modelos de atendimento, cujo foco é atender os pacientes onde eles estão, rompendo com o modelo hospitalar tradicional. Por exemplo, 42% dos líderes de saúde afirmam que suas organizações já oferecem atendimento intensivo em casa hoje, e outros 40% planejam fazer o mesmo nos próximos três anos.

 

Essa é uma abordagem que Monique Reese e sua equipe na Highmark Health vem utilizando há anos, levando atendimento médico de alta qualidade diretamente para dentro do ambiente doméstico.

P.: Qual é a sua visão sobre o atendimento médico domiciliar e quais são os principais benefícios?

 

R.: Na Highmark Health, adotamos uma abordagem de saúde populacional focada em prestar atendimento centrado na pessoa. Grande parte disso envolve ajudar na saúde e recuperação dentro de casa. Nosso compromisso é criar soluções que permitam que as pessoas tenham uma rotina saudável em casa, conforme suas necessidades e preferências individuais.

 

Há vários benefícios nessa abordagem. Tudo começa com o entendimento de que a casa do paciente é o melhor lugar para ele receber atendimento médico. Cada vez mais, é também o que os pacientes estão pedindo. Vale destacar que essa abordagem nos permite prestar um atendimento de qualidade igual ou até superior, de maneira mais acessível. Todos esses fatores me fazem acreditar em uma expansão contínua do atendimento médico domiciliar.

"Não há melhor lugar para receber atendimento médico do que em casa"

alan pitt

Monique Reese, DNP
Vice-presidente de atendimento médico domiciliar e comunitário na
Highmark Health

P.: Poderia dar um exemplo de como a Highmark Health está colocando essa visão em prática?

 

R.: Claro. Um exemplo excelente é como estamos expandindo nossas capacidades de hospitalização domiciliar para pacientes que necessitam de atendimento de nível intensivo, seja por conta de uma piora na insuficiência cardíaca ou de uma infecção do trato urinário. Assim que identificamos que um paciente atende aos critérios para atendimento de nível intensivo, oferecemos a ele a opção de escolher entre receber o atendimento no hospital ou em casa. Isso significa que os pacientes agora podem receber o mesmo tipo de atendimento que receberiam em um ambiente hospitalar, mas no conforto de suas casas e na companhia de seus familiares.

 

A demanda dos pacientes está clara e em crescimento. O número médio de admissões mensais em nossos programas de hospitalização domiciliar em diferentes mercados aumentou mais de oito vezes entre 2020 e 2023. Também estamos vendo um engajamento, satisfação e resultados particularmente positivos entre os pacientes que optam por receber o atendimento em casa.

 

P.: Como esse modelo funciona na prática? Como é a experiência do paciente?

 

R.: O paciente conta com uma equipe médica que o atende em casa. Tudo começa com uma visita de cadastro que dura de duas a seis horas, realizada para avaliar completamente sua condição e configurar os equipamentos necessários. A equipe médica geralmente é composta por diversos profissionais, como enfermeiros, terapeutas, auxiliares e internistas, que trabalham em conjunto para prestar o melhor atendimento possível ao paciente. Após a visita de cadastro, a equipe médica se encontra com o paciente todos os dias, combinando atendimento presencial com visitas virtuais ao hospital, viabilizadas pelo monitoramento remoto do paciente.

 

Há uma série de serviços complementares que podem ser realizados na casa do paciente para criar um ambiente propício a um atendimento seguro, de alta qualidade e baseado em evidências. Isso pode incluir, por exemplo, infusões realizadas em casa. E, se necessário, também podemos disponibilizar uma cama hospitalar ou outros tipos de equipamentos para garantir o conforto do paciente.

 

P.: Você mencionou monitoramento remoto do paciente e visitas virtuais ao hospital. Como enxerga o papel da telemedicina na experiência do home care?

 

R.: Durante a pandemia, vimos um aumento significativo na adoção de tecnologias virtuais como facilitadoras no atendimento médico, e continuamos a ver essa tendência com o fim da pandemia. Por exemplo, em nosso programa de hospitalização domiciliar, quando um paciente tem um agravamento dos sintomas, um internista pode auscultar o coração, os pulmões e os sons intestinais do paciente para realizar uma avaliação inicial remotamente. Se necessário, o internista pode então conectar o paciente a um médico ou a um enfermeiro de prática avançada para uma avaliação física mais abrangente e a prescrição de tratamento.

 

No passado, o paciente teria que ir até o pronto-socorro do hospital, onde provavelmente aguardaria por horas antes de ser avaliado. Isso colocava muitas barreiras para o acesso ao pronto atendimento, barreiras essas que são eliminadas quando a avaliação inicial é feita remotamente. Nesse caso, a experiência do paciente e de seus familiares é muito melhor, e eles podem começar imediatamente a administrar os sintomas para reduzir o impacto da doença.

 

Para mim, a telemedicina é um complemento poderoso ao atendimento presencial; estamos aproveitando essa abordagem também em nossos outros programas de saúde em casa, seja para atendimento básico, seja para atendimento especializado domiciliar. No entanto, o mais importante é como integramos essas capacidades tecnológicas ao trabalho das nossas equipes médicas, proporcionando uma experiência perfeita para o paciente. Queremos que o paciente receba o atendimento que ele precisa, sempre que precisar. Geralmente, precisamos combinar atendimento presencial e telemedicina. A questão não é escolher um ou outro. Precisamos ser flexíveis e adaptáveis nos recursos e soluções que desenvolvemos para que possamos atender às diferentes necessidades dos pacientes e aos diferentes requisitos do mercado.

A physician getting a 360-degree view of a patient

P.: Quais são outros facilitadores tecnológicos essenciais para a prestação de atendimento médico domiciliar?

 

R.: A escassez de profissionais da área será um dos principais obstáculos para a implementação mais ampla desses modelos. Já estamos vendo isso hoje. Está ficando cada vez mais difícil conseguir acesso às equipes qualificadas necessárias. Isso nos leva a refletir sobre como podemos aproveitar de maneira mais eficiente os recursos limitados que temos, usando a tecnologia para automatizar determinadas tarefas.


Um exemplo interessante é a automatização da autorização de assistência médica domiciliar (ou seja, o processo de obtenção de aprovação ou autorização de uma operadora de plano de saúde ou de um programa governamental para receber atendimento médico em casa). Antes precisávamos de muitos enfermeiros para a autorização manual. Há alguns anos, desenvolvemos um recurso tecnológico em parceria com um de nossos parceiros para automatizar essas aprovações. Graças a ele, reduzimos a carga administrativa tanto para as operadoras de planos de saúde quanto para os médicos. Consequentemente, conseguimos remanejar os enfermeiros que antes faziam todas as autorizações manualmente.

 

Com a autorização do atendimento médico domiciliar agora sendo mais rápida, também podemos enviar um enfermeiro para a casa do paciente mais rapidamente. Isso está diretamente relacionado à melhoria da qualidade do atendimento, à redução dos sintomas, bem como à diminuição das internações hospitalares e das visitas ao pronto-socorro.

 

P.: Além da tecnologia, o que mais é necessário para aumentar a adoção dos modelos de atendimento médico domiciliar?

 

R.: Essa é uma pergunta importante, porque é possível incorporar a tecnologia como um facilitador, mas se os médicos ou os pacientes não aderirem, ninguém será beneficiado. Daqui para frente, acredito que modelos de reembolso que permitam modelos de atendimento médico inovadores e emergentes serão essenciais. Isso é algo que tanto o governo quanto os pagadores comerciais estão sempre levando em consideração.

 

A Highmark Health tem uma realidade privilegiada, pois tanto médicos quanto operadoras de planos de saúde operam sob a mesma entidade. Isso significa que podemos trabalhar na criação de novos produtos e serviços, na elaboração de benefícios e planos de reembolso e no próprio atendimento médico. Por exemplo, quando houve uma necessidade urgente de expandir os recursos de telemedicina durante a pandemia, fizemos um grande esforço para promover a adoção dos médicos por meio de novos modelos de pagamento, fundos de inovação e outras ferramentas.

 

P.: Com o atendimento médico sendo cada vez mais oferecido em casa, que função teriam os hospitais?

 

R.: Os hospitais vão continuar desempenhando um papel muito importante, mas acredito que vão se concentrar ainda mais no atendimento a pacientes com condições mais graves, enquanto o atendimento de casos menos urgentes serão encaminhados cada vez mais para o ambiente domiciliar. A pandemia realmente acelerou essa tendência, mas, pela minha experiência como enfermeira de família, vejo que essa evolução já vem acontecendo há uns 15 anos.

 

Também estamos notando essa mudança na forma como os pacientes entram no nosso programa de atendimento hospitalar em casa. Começamos com pacientes que vinham ao pronto-socorro do hospital, mas agora também estamos admitindo pacientes de outros ambientes de assistência médica, como consultas médicas em casa ou clínicas externas. Isso ajuda a evitar idas desnecessárias ao pronto-socorro e melhora a experiência do paciente, já que ele não precisa mais passar horas esperando.

 

P.: E você acha que o atendimento domiciliar pode contribuir para melhorar a equidade na saúde? Como?

 

R.: Com certeza. Como mencionei, acho que nossos programas de saúde em casa podem ajudar a reduzir algumas das barreiras tradicionais no acesso ao atendimento médico, já que as pessoas não precisam ir até um hospital. Também vejo como algo muito importante começarmos a conectar os pacientes a uma rede mais ampla de serviços de apoio em suas comunidades. Isso nos permite oferecer um atendimento mais abrangente, que também leva em consideração fatores sociais que influenciam na saúde.

 

A Highmark Health está desenvolvendo redes de assistência social de alto desempenho, que conectam os profissionais de saúde a organizações comunitárias em áreas como transporte, alimentação e moradia. Quando um paciente volta para casa após ser tratado, nossos profissionais podem ajudá-los a acessar recursos relevantes na comunidade. Também criamos modelos de reembolso para custear esses serviços. É um exemplo ótimo de como estamos trabalhando junto com profissionais de saúde, pacientes e suas famílias para oferecer cuidados mais completos e centrados na pessoa, de acordo com as necessidades e situações individuais de cada paciente.

 

Essa conversa foi editada para melhorar a fluidez e clareza.

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