Centro de Notícias | Brasil

masthead telehealth eicu l
dez 18, 2020

O que o futuro reserva para a telessaúde? Perguntas e respostas com médicos especialistas

Tempo estimado de leitura: 8-10 minutos

À medida que os líderes da saúde definem o futuro da telessaúde, três líderes da área médica da Philips ponderam sobre as oportunidades e desafios que nos aguardam

Ao serem confrontados com a COVID-19, as comunidades do mundo inteiro rapidamente adotaram a telessaúde como um modelo de prestação de atendimento seguro e conveniente. Sua aceitação pelos médicos cresceu exponencialmente à medida que o domicílio se tornou uma nova base para o atendimento. À medida que a pandemia continua a atuar como um fator de disrupção da forma como o atendimento é prestado, os líderes do setor de saúde buscam encontrar um terreno estável onde possam consolidar a telessaúde para os anos vindouros. Para ajudar a orientá-los nesse processo, três líderes da área médica da Philips ponderaram sobre as oportunidades e desafios que nos aguardam com relação à sustentabilidade da telessaúde no longo prazo: Huiling Zhang, Diretora Médica de Atendimento Conectado; Cindy Gaines, Chefe de Transformação Clínica de Atendimento Conectado; e Adam Seiver, Chefe Médico de Cuidados Terapêuticos e Cuidados Respiratórios no Hospital. A opinião predominante? Para que a telessaúde perdure, será necessária uma transformação clínica: os fluxos de trabalho precisarão ser reconfigurados, o setor deverá colaborar de novas maneiras e os provedores de atendimento deverão se adaptar continuamente às dinâmicas e formas de trabalhar em ritmo de constante mudança.

 

P1: O uso da telessaúde disparou durante a pandemia. Na sua opinião, qual é o principal obstáculo à sua adoção no longo prazo?

 

Huiling Zhang (HZ):  Em primeiro lugar, precisamos parar de pensar em telessaúde como chats de vídeo isolados ou telefonemas para o provedor de atendimento. À medida que o local onde o atendimento é prestado se torna mais flexível e nossa dependência da tecnologia cresce para se compatibilizar com essas diversas configurações, a telessaúde passa a desempenhar um papel importante como uma forma mais operacionalizada de prestar atendimento. Assim como ocorre com as visitas presenciais, a telessaúde deve ser totalmente integrada às operações diárias de uma organização de saúde — desde o agendamento de consultas, passando pelo faturamento e pelos pagamentos, até a decisão de onde empregar funcionários conforme a necessidade. Todas as partes envolvidas, incluindo prestadores de atendimento, fontes pagadoras e pacientes, precisam acreditar que a telessaúde, quando implantada e usada adequadamente, pode ser tão eficaz quanto uma visita presencial, além de colocá-la em prática de modo a integrá-la totalmente aos fluxos de trabalho clínicos e operacionais para otimizar a prestação de atendimento, independente de sua localização.

 

Cindy Gaines (CG): Qualquer transformação digital que aconteça tão rapidamente corre o risco de se tornar um "modismo", então temos um trabalho a fazer para impedir que isso ocorra.. Há uma ameaça real de que a telessaúde possa sofrer os mesmos efeitos da adoção do PEP do início da década de 2000. Embora o impulso de sua caracterização como "Uso Significativo" tenha prometido um avanço no gerenciamento das informações de saúde, ao longo do tempo essas soluções evoluíram para se tornarem fontes discrepantes de fardo administrativo, em grande parte porque as organizações não investiram o tempo necessário para modificar os fluxos de trabalho de modo a incorporar a tecnologia e aumentar a eficiências e as vantagens. O mesmo risco existe para a telessaúde: embora sua promessa resida na conveniência e em um acesso aprimorado, se os fluxos de trabalho não forem alterados o sistema não terá chegado para ficar. Para evitar que a história se repita, precisamos nos sentir à vontade para misturar o antigo com o novo e contratar especialistas em fluxo de trabalho e navegadores de tecnologia dedicados à transição e ao projeto do fluxo de trabalho.

 

Adam Seiver (AS): Se há algo que aprendemos com a digitalização da saúde ao longo dos anos é que não se trata apenas da tecnologia, mas também das pessoas, processos e incentivos implementados para favorecê-la. Existe o risco de que a adoção da telessaúde seja mais um "empurrão" tecnológico do que um “impulso” gerado por um problema subjacente. A telessaúde não é apenas a cobertura do bolo, precisa ser misturada na massa. Se considerarmos o teleatendimento de cuidados críticos, por exemplo: para que seja um modelo eficaz e colaborativo de monitoramento para pacientes mais graves, a tele-UTI irá requerer um redesenho dos fluxos de trabalho de cuidados críticos, não apenas uma instalação de tecnologia. 

 

P2: Qual é a parte mais crítica de uma implementação permanente da telessaúde no longo prazo?

 

HZ: Embora a telessaúde tenha feito sua fama em 2020, agora precisamos garantir que o nosso backbone de informática amadureça com essas soluções e ative um fluxo de dados seguro onde e quando for necessário. A participação da telessaúde no futuro do atendimento ao paciente depende de soluções interoperáveis que fundamentem as decisões baseadas em dados. Dar apoio aos pacientes em uma variedade de cenários de atendimento requer infraestruturas sólidas de compartilhamento de dados que estabeleçam um padrão para que sistemas discrepantes se comuniquem mais facilmente entre si, além da reavaliação de políticas restritivas de privacidade adaptadas a um modelo de atendimento mais transacional e limitado a instalações físicas. As opções corretas de incentivo financeiro e reformas dos pagamentos também serão fundamentais para a implementação permanente da telessaúde no longo prazo. 

 

CG: Para mim, o sucesso da telessaúde está em transformar a forma como falamos sobre saúde. Precisamos eliminar a expressão "alta hospitalar" do nosso vocabulário. Essa expressão vale para um atendimento temporário, de pessoas doentes, não para um atendimento contínuo. O monitoramento remoto do paciente por meio de dispositivos vestíveis ou conectados não se destina apenas ao uso após a alta para evitar uma reinternação; destina-se também a fornecer ao profissional de saúde um olhar ativo no ambiente domiciliar do paciente para uma gestão proativa da saúde e a facultar ao paciente uma maneira passiva e conveniente de manter seu vínculo com o profissional de saúde. 

 

AS: A colaboração e a conectividade entre a beira do leito e a internet — e o papel que a tecnologia desempenha em seu aprimoramento — são fatores importantes para garantir a longevidade da telessaúde. Para o teleatendimento de cuidados críticos, isso significa que a equipe virtual e a equipe à beira do leito precisam se sentir como parte de uma só equipe, apoiando-se uns aos outros e aprimorando o atendimento ao paciente. Com essa disposição de espírito, a determinação de quais tarefas são melhor gerenciadas remotamente e quais são melhor executadas à beira do leito de forma a maximizar o tempo, a energia e os recursos da equipe é uma atividade cooperativa, ao invés de competitiva. Além disso, o 5G e a conectividade e mobilidade aprimoradas que ele permite são fatores muito promissores no sentido de garantir que a telessaúde continue sendo uma ferramenta conveniente e confiável para provedores de saúde e pacientes. 

P3: Como você imagina que a telessaúde irá mudar a dinâmica interpessoal de atendimento e colaboração de forma mais ampla?

 

HZ: A forma como os pacientes abordam seu cuidado com a saúde está mudando, e a forma como comunicamos e registramos eventos de saúde, grandes e pequenos, precisa mudar paralelamente para que possamos fazer com que os pacientes realmente participem de seu próprio atendimento. Os pacientes de hoje têm muito mais a dizer sobre seu atendimento, e se o seguro-saúde continuar a cobrir a telessaúde após a pandemia, daremos a eles mais opções ainda. À medida que esse poder continua a mudar de mãos e os pacientes se envolvem cada vez mais com o número crescente de pontos de acesso ao atendimento médico, precisamos garantir que nossas infraestruturas ajudem nossos provedores a se manterem informados e conectados com todas as interações do atendimento médico, sob pena de serem deixados de lado. 

 

CG: O relacionamento provedor-paciente tradicional já estava mudando antes da pandemia, e os desafios do último ano aumentaram a importância de os provedores determinarem o que fazer para atender às necessidades dos consumidores em constante evolução. Dependendo de se um paciente prefere o atendimento presencial ou se comunicar por mensagem de texto, os provedores precisam personalizar sua abordagem para respeitar essa preferência. Além desse relacionamento individual, a telessaúde também mudará a forma como os provedores de atendimento colaboram com outros participantes desse espaço para preencher as lacunas de dados. Como os pacientes atualmente interagem com múltiplos modelos de atendimento e serviços de telessaúde convenientes, há um risco crescente de geração de dados discrepantes.

 

AS: O exame físico presencial já está em decadência há algum tempo e a telessaúde só faz acelerar essa mudança. Não é segredo que as gerações mais jovens valorizam a conveniência, e precisamos encontrar o equilíbrio entre um atendimento conveniente e um atendimento de qualidade: se priorizarmos a conveniência, poderemos perder algo ao longo do caminho, ou, como Cindy e Huiling sugeriram, isso poderia resultar em um atendimento fragmentado. Porém, o fato de conferirmos mais poder ao paciente quando se trata de onde e quando procuram atendimento poderá, em última análise, ser um fator positivo, ao aumentar sua responsabilidade e participação. 

 

P4: Em poucas palavras, qual é sua esperança para o futuro da telessaúde?

 

HZ: Não podemos ignorar a importância de garantir o reembolso do seguro para a telessaúde no longo prazo. Embora a pandemia tenha estimulado uma autorização de uso emergencial e permissões de reembolso temporárias, não podemos nos permitir retornar às estruturas de pagamento pré-COVID-19. Minha esperança é que a telessaúde tenha marcado uma presença grande o suficiente em 2020 para que possa ser colocada em pé de igualdade com o atendimento presencial tradicional e seja financiada de acordo. 

 

CG: Falamos em criar um continuum de saúde, mas ainda não estamos funcionando dessa maneira. Minha esperança é que o crescimento da telessaúde durante a COVID-19 seja o impulso de que precisamos para passarmos de pontos de contato esporádicos a um envolvimento real com os pacientes, que nos permita gerenciar efetivamente seus cuidados em domicílio e transformar a casa em um epicentro do atendimento. 

 

AS: Minha esperança é que a telessaúde ajude a acelerar os cuidados críticos descentralizados de forma que qualquer paciente possa receber o atendimento adequado de forma conveniente. Os pacientes gostam de ser tratados perto de casa, mas os hospitais comunitários nem sempre têm os recursos necessários. A telessaúde pode ajudar a identificar os pacientes que podem ser melhor tratados por um centro acadêmico e facilitar uma prestação de cuidados críticos regionalizada. 

 

Foram feitas pequenas atualizações neste artigo em 25 de fevereiro de 2021 para refletir a natureza contínua da pandemia de COVID-19.

Compartilhe nas redes sociais

Tópicos

Contatos

Ileana Carrasco

Ileana Carrasco

External Communication & PR Manager

Tel.: 50766772372

Médicos especialistas da Philips:

Huiling Zhang
Huiling Zhang
Chief Medical Officer of Connected Care
Cindy Gaines

Cindy Gaines

Transformation Leader of Connected Care

Adam Seiver

Adam Seiver

Medical Leader for Therapeutic Care and Hospital Respiratory Care