Como responder ao aumento de casos de câncer com diagnósticos patológicos rápidos e precisos, enquanto o quadro de funcionários permanece constante no departamento de patologia? Desde 2022, o ASAN tem diagnosticado casos utilizando patologia digital para todos os casos cirúrgicos e para consultas de casos provenientes de outros hospitais. A jornada para a patologia digital começou há anos no ASAN, e a Dra. Heounjeong Go acredita que valeu muito a pena pelos benefícios obtidos, como a redução do tempo de diagnóstico, maior confiança diagnóstica e uma melhor experiência para patologistas e médicos consultores.
Centro Médico ASAN, Seul, Coreia do Sul
O Centro Médico ASAN, localizado em Seul, é o maior hospital privado da Coreia do Sul, com 2.400 leitos, e atende anualmente mais de um milhão de pacientes internados e 3,2 milhões de pacientes ambulatoriais. É uma instituição de referência, especializada no tratamento do câncer e em transplantes de órgãos. A Dra. Heounjeong Go é chefe de um departamento de patologia composto por 27 professores e cerca de 15 residentes e fellows. Desde 2022, o ASAN tem diagnosticado casos utilizando patologia digital para todos os casos cirúrgicos e para consultas de casos provenientes de outros hospitais. A jornada rumo à patologia digital começou há anos para o ASAN e a Dra. Go considera que foi extremamente vantajosa pelos benefícios que a instituição obteve: redução do tempo de diagnóstico, maior confiança diagnóstica e uma melhor experiência para patologistas e médicos consultores.
O ASAN produz um grande volume de lâminas de anatomia patológica (aproximadamente 900 mil lâminas por ano) e diagnostica cerca de 130 mil casos de patologia cirúrgica. Embora o número de casos continue a aumentar, a equipe no departamento de patologia permanece constante, exigindo maior produtividade da equipe para a entrega de diagnósticos oportunos e consultas fluidas. Esse aumento de volume também cria desafios para a gestão de dados.
A introdução da patologia digital no ASAN resultou em uma redução do tempo de diagnóstico. Nos casos de histopatologia, embora o volume de diagnósticos tenha crescido e o contingente de patologistas tenha permanecido o mesmo, o tempo médio de diagnóstico decresceu em 19 horas e 51 minutos (-27,6%) com a patologia digital, e em 1 hora e 28 minutos (-2,93%) na imunopatologia. No caso da patologia molecular, quando a delimitação da ROI ocorreu usando um sistema de patologia digital, o tempo de processamento por caso diminuiu cerca de 1 hora.
Como as pessoas vivem mais tempo com câncer, está se tornando mais comum que esses pacientes passem por várias biópsias ou cirurgias durante o acompanhamento, o que exige a revisão de lâminas de patologia produzidas anos atrás.
Antes da patologia digital, localizar e recuperar essas lâminas físicas exigia mais tempo. Além disso, a intensidade da coloração pode sofrer degradação em lâminas antigas, comprometendo a qualidade da imagem e a confiança diagnóstica. É difícil fazer anotações precisas para diagnóstico usando lâminas físicas. Lâminas físicas podem ser danificadas ou perdidas. Quando destinadas à pesquisa, a localização e a revisão dessas lâminas em tempo hábil podem se tornar tarefas complexas. Ao preparar apresentações para conferências ou escrever artigos, é necessário tirar fotos com uma câmera para apresentar os resultados, o que pode ser muito inconveniente. Além disso, armazenar lâminas físicas requer um espaço significativo nas instalações.
Para superar esses desafios, o ASAN decidiu digitalizar todas as lâminas recém-produzidas, bem como lâminas dos últimos 10 anos, utilizando armazenamento local de dados. Os sistemas de Prontuário Médico Eletrônico e de gerenciamento de imagens estão fortemente integrados para maior eficiência diagnóstica. Os sistemas integrados enviam todos os resultados de testes patológicos auxiliares do departamento de patologia para o servidor digital de patologia, permitindo que todos os dados sejam organizados por caso cirúrgico. O ASAN implementou uma interface para algoritmos baseados em IA e está desenvolvendo uma plataforma capaz de fornecer lâminas de diagnóstico desidentificadas e pseudonimizadas para pesquisa e consultas externas. O ASAN emprega um sistema de IA que leva menos de um minuto por caso para avaliar a análise morfométrica (anteriormente, um residente precisava de duas horas diárias para avaliar a morfometria). Além disso, o reembolso é maior para morfometria assistida por IA.
Quando a Dra. Go decidiu adotar a patologia digital, o campo ainda era relativamente novo, com pouca informação disponível. Na época, não existiam modelos de referência semelhantes para uma instituição tão grande quanto o ASAN, e a maioria das outras instituições havia implementado apenas parcialmente a patologia digital. O ASAN elaborou seu próprio plano, que começou em 2017 e terminou no final de 2019, chegando a um acordo com a administração hospitalar para prosseguir. Em 2020, o ASAN criou uma força-tarefa para iniciar o projeto, construindo as interfaces necessárias durante um ano, fase seguida por mais um ano de operação experimental. Levou aproximadamente cinco anos para implementar totalmente a patologia digital no ASAN.
A Dra. Go respondeu às preocupações sobre a implementação digital ao identificar as dificuldades do fluxo analógico de diagnóstico, constatando que o principal obstáculo era localizar e revisar as lâminas físicas arquivadas. A Dra. Go conseguiu demonstrar vários benefícios. O sistema digital facilita o acesso às lâminas, inclusive para pesquisadores. A segurança dos dados do paciente é ampliada ao usar lâminas digitais para consultar outros hospitais, pois nenhuma lâmina física é transportada de um local para outro. Os patologistas demonstravam preocupação com o domínio de uso dos novos sistemas; motivo pelo qual a Dra. Go ofereceu treinamento individualizado para assegurar que a equipe se sentisse segura na transição. As lâminas digitais são mais fáceis de visualizar do que no microscópio (patologistas mais jovens se sentem muito à vontade com o uso do computador e tecnólogos mais velhos gostam da visão ampliada). O sistema unificado de códigos de barras eliminou a possibilidade de identificação incorreta de lâminas físicas, reduzindo o risco para quase 0% e criando um sistema de identificação à prova de erros.* O hospital utiliza uma rede de 1G, e o departamento de patologia opera em uma rede separada de 10G para upload e download de dados.
O ASAN se orgulha de seus tempos reduzidos de processamento das lâminas de patologia, entregando diagnósticos em 1,5 dia para espécimes de biópsia e 3,5 dias para lâminas de ressecção. A Dra. Go pontua que o centro médico possui uma otimização da força de trabalho altamente eficiente em comparação a outras instituições. As preocupações iniciais estavam relacionadas à produtividade e eficiência. Será que poderiam ser mantidas após a adoção da patologia digital devido à etapa extra do fluxo de trabalho de digitalizar as lâminas, o que poderia aumentar o tempo de processamento?
Para resolver isso, a Dra. Go decidiu reavaliar todos os processos do ponto de vista da digitalização e otimizá-los para a patologia digital, tomando a decisão ousada de implementar o sistema de patologia digital de forma integral e de uma só vez, em vez de gradualmente, para evitar as ineficiências de um fluxo de trabalho parcialmente digital e parcialmente analógico. O ASAN implementou uma interface que possibilita a visualização direta de casos anteriores com imagens de lâminas digitais a partir do monitor de gerenciamento de casos do Prontuário Médico Eletrônico, facilitando a revisão de todas as lâminas.
A instituição também modificou todo o ambiente físico do departamento de patologia, incluindo equipamentos, iluminação, espaços de trabalho e áreas de conferência, com o objetivo de otimizar o fluxo de trabalho digital. O trabalho molecular agora é mais eficiente devido à possibilidade de realizar anotações para extração de DNA diretamente na lâmina, algo que anteriormente demandava de 1 a 2 dias quando era realizado em lâminas de vidro.
A Dra. Go afirma que os patologistas preferem a visualização digital à análise por microscópio devido à facilidade do fluxo de trabalho, e que as imagens digitalizadas podem ser avaliadas com ampliação superior a 40 vezes, o que é útil para identificar partículas ou organismos pequenos. A facilidade de compartilhar e discutir imagens digitais facilita a colaboração com outros médicos.
A Dra. Go destaca algumas das dificuldades passadas no diagnóstico na era analógica. “Se vários médicos precisassem de orientação, todos se reuniam para uma reunião separada, ou vinham ao consultório individualmente com lâminas para pedir opiniões. Como esses casos exigem tempo e esforço significativos, o diagnóstico se atrasava e, às vezes, era feito sem a discussão necessária entre especialistas. Com um sistema de patologia digital, é possível consultar vários patologistas usando o app de mensagens IMS e fazer com que eles acessem e visualizem o caso, ao mesmo tempo, compartilhando opiniões, mesmo sem estar na mesma sala. Isso não se limita apenas à opinião sobre o diagnóstico, mas também pode incluir exames adicionais necessários, uma interpretação dos testes e a situação clínica do paciente. Isso permite um diagnóstico mais específico que pode ser muito mais útil no tratamento do paciente."
Essa funcionalidade de colaboração IMS, que permite aos patologistas se conectar por meio de sessões de chat e compartilhamento de links de casos, também pode ser usada para fins além do diagnóstico (p. ex., consultas, painéis de discussão e sessões educativas). Isso permite que os patologistas analisem lâminas digitais em tempo real com outros usuários de qualquer lugar.
No futuro, a Dra. Go imagina que o campo da patologia digital pode ser expandido para incluir seções congeladas e amostras de citologia, um sistema que gerencie todas as imagens de testes auxiliares e a criação de um sistema prognóstico de triagem e classificação do câncer.
"Acho que a IA certamente beneficiará a produtividade e a eficiência diagnóstica se pudermos usar mais modelos para uma variedade de propósitos, além da morfometria que usamos atualmente", diz a Dra. Go. "Por exemplo, no modelo de triagem de próstata que está sendo utilizado atualmente em várias instituições, cada um dos 12 fragmentos deve ser avaliado quanto ao diagnóstico, escore de Gleason, padrão de Gleason, volume tumoral, tamanho total da amostra, tamanho da porção tumoral, quantidade de focos tumorais e inflamação tecidual. Isso é trabalhoso, complicado e entediante. Ao descrever vários itens, é fácil cometer erros. Se o modelo de IA realizar a triagem inicial e, especificamente, gerar um laudo com os resultados, acredito que a precisão e a produtividade do diagnóstico apresentarão um ganho expressivo."
A Dra. Go destaca o valor de uma abordagem centrada no usuário para a transformação da patologia digital: "Ao implementar um sistema, é fundamental projetar o impacto nas rotinas sob a ótica do patologista que de fato operará a ferramenta. Quem faz a implementação foca nos aspectos técnicos, mas os usuários priorizam a facilidade que o sistema digital trará para sua rotina de trabalho."
Ao implementar um sistema, é fundamental pensar em como as coisas vão mudar do ponto de vista do patologista que realmente o utilizará.
A transição direta para o modelo digital fez mais sentido para o ASAN, pois tanto o fluxo de trabalho híbrido quanto a migração total demandariam o mesmo escopo de infraestrutura, e o fluxo de trabalho totalmente digital permitiu a redução do tempo para o diagnóstico. O tempo de digitalização agora é mais curto do que antes, e os patologistas podem começar a analisar os casos duas horas mais cedo, dando mais tempo para se dedicar a outras tarefas.
Ela destaca que a integração estreita entre o EHR e o sistema de gerenciamento de imagens (IMS) é essencial, e que todo o fluxo de trabalho precisa ser transformado, pois os processos convencionais de patologia foram concebidos para o método analógico. A Philips é um parceiro experiente e confiável, escolhido para atuar em todas as etapas da transformação digital, oferecendo planejamento de fluxo de trabalho, implementação, treinamento e suporte para uma transformação suave para a patologia digital.
A Dra. Go afirma que, durante todo o processo, a Philips demonstrou que está comprometida com a qualidade. A equipe da Philips trabalha para inovar em patologia digital ouvindo verdadeiramente o feedback dos patologistas.
A patologia digital no ASAN resultou na diminuição do tempo para diagnósticos, proporcionou maior confiança clínica aos médicos e é valorizada pelo departamento pelo impacto positivo no fluxo de trabalho e no equilíbrio entre vida profissional e pessoal dos colaboradores.
A patologia digital possibilita diagnósticos rápidos e precisos no ASAN Medical Center