O ultrassom diagnóstico é amplamente usado para avaliação pré-natal do crescimento e da anatomia, bem como para a conduta de gestações múltiplas e anomalias fetais. Exames detalhados da anatomia fetal proporcionam alta resolução, permitindo avaliações mais abrangentes. O ultrassom tridimensional (3D) pode fornecer imagens aprimoradas das estruturas fetais com muitos detalhes, permitindo um nível mais profundo de preparação dos médicos. Este estudo de caso detalha a avaliação da fenda labial e palatina fetal usando visualização 3D fotorrealista TrueVue.
Uma gestante de 29 anos, G2P1, foi encaminhada ao Centro de Diagnóstico e Tratamento Fetal do Children’s Hospital of Philadelphia (CFDT) com histórico de feto com fenda labial e palatina bilateral. A paciente informou uma data estimada de parto em 25/04/2018, o que indicava uma idade gestacional de 29 semanas e 0 dia no momento da avaliação. A amniocentese revelou um microarranjo cromossômico masculino normal. Os históricos médico e familiar maternos não apresentaram alterações. O histórico familiar paterno incluía uma irmã com fenda labial e palatina unilateral, que também apresentava epilepsia com déficits neurológicos graves, incluindo incapacidade de andar ou falar, além de necessidade vitalícia de alimentação por sonda gástrica. A família relatou que esses problemas neurocognitivos foram considerados decorrentes de uma meningite em paciente neonato. Ultrassom realizado em centro externo com 21 semanas e 2 dias revelou fenda labial e palatina bilateral. Realizou-se também ressonância nuclear magnética fetal em centro externo pouco tempo depois, mas foi de qualidade insatisfatória devido a artefato de movimento. A paciente foi encaminhada ao CFDT para avaliação adicional e aconselhamento quanto ao diagnóstico, prognóstico e opções de conduta.
Realizou-se uma avaliação minuciosa da anatomia fetal utilizando o sistema Philips EPIQ 7 e vários transdutores, incluindo V6-2, C9-2 e L12-5.
O exame anatômico fetal detalhado identificou um feto do sexo masculino em apresentação cefálica, com placenta anterior, livre da região do colo uterino interno. O índice de líquido amniótico estava normal, medindo 18,6 cm, com o maior bolsão de 5,5 cm. A biometria fetal estimou a idade gestacional em aproximadamente 29 semanas e 6 dias, com peso fetal estimado de 1442 gramas, considerado normal no percentil 64. Identificou-se fenda labial e palatina bilateral, ligeiramente maior do lado direito que do lado esquerdo.
As imagens 3D do TrueVue demonstraram extensão profunda até o palato duro posterior. Movimentos ativos de deglutição foram identificados com líquido na orofaringe e distensão gástrica normal.
Fendas orofaciais, com ou sem fenda palatina, têm uma incidência de 1 a cada 940 nascimentos nos Estados Unidos, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), e representam uma das anomalias fetais mais comuns.
O diagnóstico de fenda labial ou palatina pode estar associado a diversas síndromes. O risco associado às fendas orofaciais aumenta se forem bilaterais, envolverem apenas o palato ou estiverem associadas a outras anomalias congênitas no ultrassom. Usando o transdutor de matriz volumétrica curva de banda larga V6-2 MHz com TrueVue, conseguimos visualizar claramente a região perioral fetal, incluindo os lábios, a crista alveolar e o palato duro. Isso foi realizado por meio da exibição 3D oropalatina renderizada em superfície (SROP) com boca aberta (Figura 1), bem como a renderização convencional de superfície 3D (Figura 2) e as exibições sonográficas bidimensionais (2D) usando o transdutor de matriz curva C9-2 (Figura 3).
Figura 1: Vista 3D oropalatina renderizada em superfície (SROP) com boca aberta usando o transdutor V6-2 com tecnologia TrueVue. A fenda labial bilateral, assim como uma visão mais definida das fendas bilaterais que se estendem para o palato secundário (setas), foi claramente identificada.
Figura 2: Visualização 3D renderizada de superfície usando o transdutor V6-2 com tecnologia TrueVue. A fenda labial bilateral e o prolábio pré-maxilar sobressaliente são claramente visualizados.
Figura 3:Vista transversal 2D usando o transdutor C9-2, medindo os defeitos bilaterais na crista alveolar, mas sem conseguir determinar a extensão das fendas no palato secundário.
A tecnologia Philips TrueVue permite ao operador mover a fonte de luz para qualquer lugar da imagem 3D, incluindo diferentes níveis de profundidade, o que aprimorou a caracterização dos defeitos faciais e nos permitiu definir com mais clareza as fendas da crista alveolar, o prolábio pré-maxilar que sobressai e o envolvimento no palato secundário (Figura 1, setas).
Essa definição notável permite ao médico prever com mais precisão a gravidade do defeito, o que, por sua vez, pode ajudar o cirurgião e os pais a terem expectativas realistas em relação a possíveis cirurgias futuras potencialmente difíceis, bem como aos resultados estéticos finais.