O estiramento longitudinal global (GLS) medido por ecocardiografia é cada vez mais reconhecido como uma técnica mais eficaz do que a fração de ejeção (EF) convencional para detectar alterações sutis na função do ventrículo esquerdo (LV) e prever resultados.1,2 É especialmente importante na monitorização de pacientes em quimioterapia. É fundamental que a medida de GLS ocorra de forma rápida e reproduzível diretamente no sistema de ultrassom, para que possa ser usada na prática diária.Aplicações de IA, como o AutoStrain, possibilitam a medida reprodutível de GLS com um único toque, tornando-a acessível à prática clínica rotineira.
TOMTEC, uma tecnologia da Philips, tem uma longa história de fornecimento de medidas de estiramento com seus aplicativos de software, que são bem reconhecidos e aceitos por usuários clínicos e respaldados por centenas de artigos científicos. O AutoStrain é a primeira aplicação TOMTEC integrada ao sistema de ultrassom Philips EPIQ CVx. O AutoStrain, que conta com reconhecimento automático de vistas, posicionamento automático de contorno e rastreamento de speckle, possibilita uma medida de GLS robusta e reprodutível com um único toque, tornando-se uma ferramenta eficiente, para a prática clínica diária.
A imagem de deformação miocárdica para avaliação da função do átrio esquerdo (LA) e do ventrículo direito (RV) representa uma área clínica relativamente nova. AutoStrain LA e AutoStrain RV seguem o documento de norma3 da Strain Task Force. Com base em seu fluxo de trabalho rápido e fácil, o AutoStrain disponibiliza essas medidas para a prática clínica rotineira.
Automação
A aplicação AutoStrain utiliza duas tecnologias de automação: Reconhecimento automático de vistas e posicionamento automático de contorno. Embora a implementação dessas ferramentas de automação proporcione um fluxo de trabalho simples e rápido para medidas robustas e reprodutíveis de GLS, o usuário mantém a capacidade de editar e substituir a automação, garantindo boas práticas clínicas.
Reconhecimento automático de vistas
O reconhecimento automático de vistas identifica automaticamente quais imagens selecionadas são a câmara apical 4 (A4C), a câmara apical 2 (A2C) e a câmara apical 3 (A3C), e atribui automaticamente os rótulos às imagens selecionadas. O rótulo é exibido na imagem como uma sobreposição esquemática, conforme mostrado (Figura 1). O algoritmo foi validado em mais de 6 mil imagens clínicas, com uma taxa de sucesso de 99%. Isso significa que apenas 1 em cada 100 casos precisará de intervenção manual.
Imagem clínica do AutoStrain mostrando o reconhecimento automático de vistas
Posicionamento automático de contorno
Um módulo especializado de detecção de contorno para a respectiva visão apical é aplicado a cada uma das três sequências de imagens e opera em três etapas. Primeiro, um ciclo completo R-R, do começo ao término do final da diástole (ED), é selecionado de cada sequência. Depois, no quadro de começa do ED desse ciclo, o ventrículo esquerdo (LV) é localizado automaticamente. Na sequência, um modelo deformável de contorno endocárdico específico para a visualização é alinhado ao conteúdo individual da imagem (Figura 2). A mesma abordagem é aplicada para o posicionamento automático de contorno do RV, enquanto o contorno inicial do LA é colocado no quadro de final da sístole (ES) (Figura 2).
Galeria
Uma vez que a borda endocárdica é automaticamente colocada em ED (LV, RV) ou em ES (LA), ela segue o movimento cardíaco utilizando o rastreamento de speckle durante todo o ciclo cardíaco. Na etapa de revisão do rastreamento e análise do fluxo de trabalho, o operador tem todas as medidas apresentadas na janela ativa juntamente com as bordas de ED e ES ao lado de uma janela ativa dinâmica de todas as visualizações, facilitando a verificação de que as bordas estão corretamente posicionadas e rastreadas. Se for necessário editar a borda, é fortemente recomendado iniciar a edição no ED. Editar a borda no ED aciona um novo rastreamento de speckle da borda ao longo de todo o ciclo cardíaco. Ao editar a borda do ES, as edições são propagadas para os quadros vizinhos, mas a borda do ED permanece inalterada.
Ventrículo esquerdo (LV)
O estiramento longitudinal é medido na borda endocárdica, conforme indicado pela linha verde. O estiramento endocárdico instantâneo é visualizado via codificação por cores próxima à borda endocárdica.
O quadro do ED é sempre o primeiro quadro do ciclo cardíaco selecionado. O momento do ES é automaticamente definido como o momento do pico de estiramento global. Pode ser ajustado de acordo com o tempo de fechamento da válvula aórtica (AVC) no layout de AVC.
O GLS é calculado como o encurtamento global da borda endocárdica. É definido como um valor de pico e, portanto, é independente do AVC, como mostrado (Figura 3).
Ventrículo direito (RV)
Com base na deformação do contorno endocárdico verde, calcula-se o estiramento longitudinal para a parede livre (RVFWSL), o contorno global de quatro câmaras (RV4CSL) e os três segmentos da parede livre.
Átrio esquerdo (LA)
O ciclo cardíaco do LA consiste em três fases: a fase de reservatório vai do ED ao ES, a fase de condução termina no momento imediatamente anterior à contração atrial (AC), também chamado de momento PreA, e a fase de contração conclui o ciclo cardíaco.
Galeria
A validação do AutoStrain LV foi realizada em comparação com a amplamente reconhecida aplicação TOMTEC 2D CPA, com 225 imagens analisadas com o 2D CPA e reavaliadas com o AutoStrain LV, utilizando definições de borda consistentes e correções manuais quando necessário em ambos os softwares.
Para a validação do AutoStrain LA, o estiramento de reservatório do átrio esquerdo com quadro de referência no ED (LASr_ED) foi comparado ao 2D CPA utilizando 71 imagens. O AutoStrain RV comparou o estiramento longitudinal global de 4 câmaras do RV (RV4CSL) em 75 imagens com as respectivas medidas do 2D CPA.
Como a deformação dentro do miocárdio varia regionalmente, o GLS, como medida da deformação miocárdica, apresenta interdependência em relação à definição inicial do contorno. Para avaliar a reprodutibilidade do rastreamento do AutoStrain, foi analisado o impacto de ajustes manuais do contorno endocárdico inicial. Com base em 225 contornos iniciais avaliados pelos usuários, foram simulados refinamentos manuais por meio de pequenas modificações em todas as posições dos pontos de contorno originais (dentro de uma distância de ±2 pixels). Em seguida, as medidas de GLS obtidas foram comparadas com as medidas originais.
AutoStrain LV/RV/LA: medidas automatizadas de estiramento