Durante uma recente discussão em painel sobre o acesso ao atendimento e equidade em saúde, organizada pela Fierce Pharma, compartilhei minhas reflexões sobre as disparidades críticas nos cuidados maternos e como empresas de dispositivos médicos, incluindo a Philips, podem desempenhar um papel transformador no enfrentamento desses desafios. Com a crescente mortalidade materna nos EUA, acredito ser fundamental o desenvolvimento de soluções sistêmicas. A inovação, quando combinada com compaixão e compreensão, pode levar a mudanças monumentais. Aqui está o que eu compartilhei.
Eu já ouvi algumas vezes um ceticismo sobre o papel que empresas de dispositivos médicos, como a Philips, podem ou devem desempenhar nos esforços de equidade em saúde. Minha resposta é sempre a mesma: a saúde é um ecossistema e todos nós temos a responsabilidade de contribuir. Para mim e para a Philips, promover e melhorar o acesso aos cuidados de saúde não é apenas um projeto, mas sim uma parte essencial de quem somos como empresa.
Nossa missão é ambiciosa, mas clara: melhorar a vida de 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo, incluindo 400 milhões em áreas carentes. Aqui na Philips, acreditamos que o acesso à saúde é um direito fundamental de todo ser humano. Esse princípio é o que nos faz ouvir atentamente as necessidades das comunidades carentes e a criar soluções tangíveis e acessíveis que atendam as pessoas onde quer que elas estejam.
Os desafios enfrentados por gestantes durante a gestação e no pós-parto têm um significado pessoal para mim, depois de passar por um parto prematuro com meu primeiro filho. Mas não sou só eu. Um terço dos condados dos EUA tem assistência materna escassa [2], isto é, são locais onde não existe nenhum hospital oferecendo serviços de obstetrícia ou nenhum médico especialista na área. Isso significa que as mulheres estão dando à luz em prontos-socorros ou enfrentando viagens estressantes e arriscadas para chegar a unidades a quilômetros de distância.
Para as mulheres negras, as disparidades são ainda maiores. Elas têm quase 3 vezes mais chances de morrer por causas relacionadas à gravidez do que mulheres brancas [3]. A parte mais chocante? Essas disparidades persistem independentemente da renda ou da educação. E em metrópoles como Nova York, essas taxas de mortalidade são 6 vezes maiores para mulheres negras [4].
Esses desfechos trágicos não me deixam dormir à noite justamente porque sei que muitos poderiam ser evitados. Desafios de transporte, barreiras financeiras, falta de conhecimento e uma distribuição desigual dos profissionais obstétricos criam lacunas sistêmicas que precisam ser preenchidas.
Acredito fortemente que podemos preencher essas lacunas, e isso começa com inovação e parcerias criativas. Na Philips, não apenas desenvolvemos tecnologias; mas também trabalhamos sem cessar para levá-las às pessoas que mais precisam.
Por exemplo, entregamos tomógrafos móveis a bairros carentes em colaboração com organizações locais, e atuamos junto a sistemas escolares e igrejas para levar cuidados de saúde a espaços comunitários de confiança. Um esforço que me dá muito orgulho é o trabalho que estamos realizando para fornecer monitorização remota de pressão arterial e glicose para mulheres em regiões carentes de cuidados maternos ao longo de todos os EUA.
O que torna esse programa especial é que removemos barreiras comuns à adoção de tecnologia. Nossos dispositivos utilizam conectividade celular, dispensando a necessidade de Wi-Fi ou telefone celular, garantindo que funcionem independentemente dos recursos disponíveis na residência do paciente. Essas ferramentas capacitam as mulheres a assumirem o controle de sua saúde, coletando e compartilhando dados com seus profissionais de saúde em tempo real. Isso não só ajuda mulheres a se manterem saudáveis durante a gravidez de modo individual, como também aprofundou a conversa nacional sobre o combate à hipertensão e ao diabetes na gravidez.
Uma das maiores lições que aprendi é que nosso lema "melhor cuidado para mais pessoas" deve estar incorporado ao planejar qualquer solução desde o início. Isso significa começar ouvindo as comunidades que queremos atender. Quando estávamos desenvolvendo nosso programa de monitorização remota de pacientes maternas, tivemos um envolvimento profundo com pacientes e profissionais de saúde para entender seus desafios. Ficou claro que precisávamos remover barreiras como a dependência de Wi-Fi ou de possuir telefones celulares.
Mas planejar com equidade vai além do hardware: trata-se de reconhecer as realidades vividas pelas pessoas e garantir que a tecnologia se encaixe perfeitamente na vida delas. Sinto que é minha responsabilidade defender soluções que funcionem não apenas na teoria, mas também para as pessoas que estamos tentando ajudar.
Outra área pela qual sou profundamente apaixonada é a defesa da causa. Empresas de dispositivos médicos como a Philips devem utilizar nossos recursos e conhecimento especializado para orientar os formuladores de políticas públicas e promover mudanças sistêmicas. Por exemplo, muitos estados norte-americanos só recentemente expandiram a cobertura do Medicaid para incluir cuidados pós-parto durante todo o primeiro ano após a gravidez. Esse tipo de mudança é crucial porque metade das mortes maternas nos EUA ocorre no período pós-parto.
Também desempenhamos um papel ao estabelecer contato direto com gestantes e ajudá-las a aprender mais sobre sua gravidez. Nosso aplicativo Pregnancy+ é um ótimo exemplo. Ele envia toda semana informações sobre saúde às futuras mães, orientações para se preparar para consultas de pré-natal e conexões com recursos locais, como cadastros de doulas e programas do Medicaid. Por meio de ferramentas como essa, podemos ajudar os pacientes a se posicionarem e fortalecer o relacionamento com seus profissionais de saúde.
Para mim e para a Philips, esse trabalho não é uma opção: ele é essencial. Proporcionar um melhor cuidado para mais pessoas não é apenas ajudar populações vulneráveis, mas sim valorizar e fortalecer todo o ecossistema de saúde. Quando facilitamos o acesso ao atendimento, reduzimos idas ao pronto-socorro, prevenimos complicações, promovemos o uso eficiente dos recursos de saúde e apoiamos melhores resultados para todos.
Todos podem sair ganhando aqui. Um sistema com mais saúde é um benefício para todos nós. Como compartilhei durante o painel, acredito profundamente que toda mãe merece trazer seu filho ao mundo com dignidade, cuidado e segurança. Juntos, podemos fazer isso acontecer. Não é só um objetivo, mas sim o novo padrão pelo qual todos devemos trabalhar.