Saúde e meio ambiente – Por que a digitalização é importante?
- Nov 19, 2021
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Robert Metzke
Sobre a autor
O Sr. Metzke lidera as atividades da Philips na área de Sustentabilidade, onde impulsiona a estratégia da empresa em direção a modelos de negócios inovadores e sustentáveis, além de integrar práticas sustentáveis e circulares em toda a organização. Em particular, Robert e a sua equipa lideram todas as ações relacionadas com a responsabilidade ambiental da Philips, com foco na ação climática, na economia circular e na expansão do acesso aos cuidados de saúde em comunidades carenciadas, como parte do propósito global da Philips de melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas.
Antes de ingressar na Philips, o Sr. Metzke trabalhou como consultor na McKinsey & Company, onde acumulou 5 anos de experiência em estratégia e inovação nos setores de alta tecnologia, saúde e setor público. O Sr. Metzke tem formação em jornalismo, edição científica (Science/AAAS) e investigação académica (física). É casado, tem três filhos e reside nos Países Baixos.
A tecnologia digital e o uso de dados estão transformando todos os aspectos da vida das pessoas e não há sinais de desaceleração dessa tendência tão cedo.
Essa aceleração vem ocorrendo há muito tempo, desde 1947 e a invenção do transistor, que é, essencialmente, o dispositivo de transferência de dados que sustenta toda a tecnologia digital. Passando pelas décadas seguintes e acrescentando o lançamento do primeiro computador pessoal, do primeiro telefone móvel, da internet, da conectividade 5G, temos uma avalanche cada vez maior de dados. De acordo com o Statista 2021, a quantidade total de dados globais deve continuar aumentando rapidamente, com um enorme crescimento de 90 vezes, projetado de 2010 a 2025.
A digitalização e a saúde
A digitalização também é uma tendência fundamental na área da saúde, presente em quase todas as facetas e abrindo novas oportunidades para o atendimento. Já vimos um grande avanço na adoção da tecnologia digital, especialmente pós-COVID, à medida que consumidores conscientes da saúde e sistemas de saúde sobrecarregados recorrem à tecnologia para ajudá-los a enfrentar os seus desafios.
Também para aqueles 3,5 bilhões de pessoas em todo o mundo que não têm acesso à saúde hoje, a digitalização é o segredo para a melhoria radical em suas vidas, uma vez que as soluções digitais são intrinsecamente muito mais escaláveis e, dessa forma, apoiam a prevenção mais ampla, melhor triagem e menor custo por tratamento.
Hoje, a Philips já é uma empresa digital, com 1 em cada 2 de nossos funcionários de P&D trabalhando no desenvolvimento de softwares e ciência de dados. Ao integrar dados, conseguimos criar soluções de saúde conectadas e inteligentes. Ao aplicar algoritmos de tomada de decisões clínicas e análises preditivas, por exemplo, podemos usar dados para fornecer insights personalizados e acionáveis. Por exemplo, para estimular o comportamento saudável por meio do coaching digital ou alertar equipes médicas sobre possíveis problemas.
Acreditamos que a digitalização pode acelerar a adoção de modelos sustentáveis de saúde tão necessários, incluindo o acesso mais amplo ao atendimento, por exemplo, permitindo que comunidades carentes eliminem a lacuna na prestação de serviços primários.
O vínculo com a sustentabilidade ambiental
Dito isso, tornar a saúde acessível a toda a humanidade não pode e não deve sugerir uma duplicação da pegada ecológica global da saúde, que já é horrenda. Se a saúde fosse um país, seria o quinto maior emissor global, representando mais que a aviação ou a indústria naval.
A digitalização pode ajudar a reduzir a pegada ecológica da saúde, permitindo um uso mais eficiente de recursos escassos, tanto de energia quanto de materiais. Por exemplo, apoiando o atendimento virtual (ou “telessaúde”) e a mudança de ambientes clínicos intensivos em recursos para ambientes de menor custo em rede e domiciliares. Além disso, permitindo a “desmaterialização” e modelos de serviços circulares, como modelos baseados em uso e resultados.
Mas o que exatamente queremos dizer com “desmaterialização”? Ao pensar na forma de atendimento às necessidades de um cliente, nós da Philips sempre nos perguntamos, logo no início do processo de concepção: “Como podemos entregar valor aos nossos clientes, evitando ou minimizando o uso de materiais?” Se conseguirmos criar uma solução virtual, ela reduz o impacto ambiental. As ferramentas digitais apoiam a desmaterialização e, como tal, abordam a própria essência da economia circular, entregando o máximo de valor com recursos mínimos.
Infraestrutura sustentável
Ao mesmo tempo, vemos que a presença da infraestrutura das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação), necessária para entregar soluções digitais, está aumentando. A eletricidade é necessária para executar o hardware e o software que transporta os dados por todo o mundo. Estima-se que mais de 800 TWh sejam consumidos anualmente, o que equivale, aproximadamente, ao consumo total de eletricidade da Bélgica, Holanda e Alemanha. Até 2030, 8% da eletricidade será consumida por data centers. E a previsão é que até 2040, 14% das emissões de gases de efeito estufa sejam atribuídos às TICs. Atualmente, esse número é de 2%.
Pesquisas [1] indicam que a economia de recursos desbloqueada pela tecnologia da informação e comunicação digital supera o aumento da pegada ecológica causado pela implantação dessa tecnologia. Mas, para maximizar essas economias, também devemos nos concentrar na construção de infraestrutura digital sustentável, incluindo soluções em nuvem sem carbono e design totalmente circular para hardware.
A abordagem da Philips à digitalização e ao meio ambiente
Na Philips, vemos a digitalização do atendimento como uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento sustentável. De acordo com um artigo publicado por J.D Sachs e outros, a digitalização é uma das seis principais transformações necessárias para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. A Philips estabeleceu metas ambiciosas de sustentabilidade ligadas aos ODSs da ONU. Elas incluem: garantir o uso sustentável de materiais e conduzir a transição para uma economia circular; e garantir o uso sustentável da energia, reduzir as emissões e operar sem emissões de carbono.
Como uma empresa de tecnologia de saúde orientada por propósitos, estamos muito conscientes de nossa responsabilidade com a sociedade e da necessidade de continuar incorporando a sustentabilidade cada vez mais na maneira como fazemos negócios, não apenas em nossas próprias operações, mas em toda a cadeia de valor, juntamente com nossos clientes e fornecedores.
Há mais de uma década, começamos a implementar os requisitos de produtos para o desenvolvimento de software e, ao longo dos anos, percebemos que precisamos abordar esse tema de uma perspectiva mais ampla.
A nossa estratégia visa a capturar o potencial da digitalização para nos ajudar a realizar as nossas ambições de sustentabilidade. Essa estratégia é construída em torno de quatro pilares:
- Possibilitar o desenvolvimento sustentável com soluções digitais
- Capacitar o comportamento sustentável do usuário
- Construir software com design sustentável
- Ser alimentada por tecnologias e infraestrutura sustentáveis
Para dar um exemplo simplificado de outro setor, o Google Maps executado em um smartphone ilustra essa estratégia em ação: re 1. otimização de rotas em tempo real significa que os motoristas consomem menos energia para chegar ao seu destino; re 2. a forma como o aplicativo é programado reduz o consumo de recursos, por exemplo, o uso de processador, memória, rede; re 3. programas de fabricantes de telefones promovem o fim de uso responsável; re 4. o usuário pode optar pelo modo de economia de energia ou selecionar o brilho/tempo limite da tela.
Se bem projetada, a digitalização da saúde pode melhorar radicalmente o acesso e o atendimento, além de possibilitar um uso muito mais eficiente dos recursos naturais.
Robert Metzke
Agora, vamos nos aprofundar um pouco mais e explorar como, na Philips, estamos implantando esses pilares estratégicos para oferecer benefícios de saúde e sustentabilidade para os nossos clientes e consumidores.
1. Possibilitar o desenvolvimento sustentável com soluções digitais
Esta é a área onde a verdadeira inovação pode acontecer, com benefícios ambientais significativos. Para dar apenas um exemplo: A eCare Coordinator é uma plataforma de software de telessaúde da Philips que ajuda a reduzir a emissão de carbono e o desperdício. A eCareCoordinator fornece ferramentas para acompanhar remotamente a saúde dos pacientes em casa e colaborar com os médicos para ajudar a detectar problemas antes que levem a internações ou reinternações.
Hospedada em nossa plataforma digital HealthSuite baseada em nuvem, ela evita deslocamentos desnecessários, pois é solicitado aos pacientes a realização de tarefas e avaliações de saúde pré-atribuídas usando o aplicativo do paciente eCareCompanion em casa. Além disso, evita internações desnecessárias, em uma instalação intensiva de recursos, uma vez que os sinais vitais dos pacientes são monitorados remotamente e os médicos identificam os que mais precisam de intervenção imediata.
Um estudo realizado pela Accenture [1] indicou que 40% das consultas médicas poderão ser realizadas remotamente até 2030. Em última análise, interações remotas como essas poderiam potencialmente reduzir a necessidade de instalações físicas de assistência médica, diminuindo ainda mais o consumo de materiais e energia, bem como deslocamentos.
2. Capacitar o comportamento sustentável do usuário
Vemos um enorme potencial para reduzir o impacto ambiental, capacitando o comportamento sustentável do usuário. A questão é: até que ponto, na era digital, o nosso comportamento afeta o meio ambiente? Aparentemente, a resposta é... Muito! Cada pesquisa realizada, cada clique em um site, cada transmissão de música ou vídeo e cada e-mail que enviamos, todos eles se somam à incrível demanda por eletricidade, o que resulta em maiores emissões de CO2.
Aproximadamente 50% de todos os computadores em escritórios ficam ligados durante a noite e nos fins de semana. Simplesmente desligar computadores à noite pode reduzir o consumo anual de energia em mais de 50%. Assim, cada um de nós pode realizar pequenas ações em nosso trabalho diário que somam para reduzir significativamente o nosso impacto ambiental digital. De grão em grão... E as empresas e outras organizações precisam pensar em permitir escolhas mais sustentáveis por padrão e informar os usuários sobre o impacto ambiental de suas escolhas e comportamentos.
3. Como projetar softwares para que sejam eficientes em termos de energia/materiais?
O design sustentável de software pode ajudar a reduzir o consumo de hardware físico de TI e o consumo de energia dos recursos das TICs. Então, como podemos projetar softwares de tal forma que minimizem a nossa pegada ecológica decorrente de materiais e energia?
Ao longo das décadas, o aumento da velocidade levou a uma imensa computação paralela. Também no domínio da IA, a noção de “deixar o algoritmo executar” exige muito poder de computação, o que tem um impacto importante. Até ouvi alguns desenvolvedores de software perguntar: “Para criar algoritmos, que são realmente eficientes em computação, precisamos voltar ao conhecimento e capacidade que tínhamos quando tivemos que encontrar uma maneira de contornar as limitações da programação de 32 bits?”
O Philips PerformanceBridge é um exemplo de software que permite maior utilização de hardware, bem como um atendimento melhor e mais eficiente. Essa plataforma de dados em tempo real, baseada na internet, agrega dados de várias fontes e se integra com o visualizador de imagens do hospital, para que a equipe obtenha os dados de que precisam com o contexto. Os dados operacionais são claramente apresentados, para que a equipe possa identificar imediatamente pontos fora da curva e possíveis oportunidades de melhoria, também quando se trata de uso de material/energia.
Acreditamos que a digitalização pode ampliar o acesso ao atendimento para centenas de milhões de pessoas, impulsionando uma mudança para modelos de saúde mais sustentáveis e resilientes em todo o mundo.
Robert Metzke
4. Tecnologia e infraestrutura
A computação em nuvem, sem dúvida, oferece enormes benefícios. Quando as empresas migram para a nuvem, a sua utilização de servidor pode chegar a aproximadamente 65%. E, embora a PUE (eficácia no uso da energia) do data center médio seja de 1,7, a média do setor em nuvem é de 1,2, o que significa que mais energia é usada por equipamentos de computação. Em suma: menos servidores necessários × servidores mais eficientes = consumo de energia menor!
No entanto, deixe-me também abordar um equívoco comum, ou seja, que a nuvem não assume uma forma concreta, que é de alguma forma “livre”, literalmente “nas nuvens”. Isso é incorreto: naturalmente, sempre tem hardware em algum lugar executando o software em nuvem. Veja os centros de servidores de TI que vemos às margens de nossas rodovias. Isso reforça mais uma vez a necessidade de tomar decisões de negócios com uma perspectiva integral sobre o impacto social, ambiental e financeiro (“tomada de decisão integrada, preços reais”).
A pesquisa da Precedence Research aponta um crescimento anual de 17,8% da computação em nuvem da saúde até 2027. Ao inovar em tecnologias digitais de forma sustentável, podemos continuar ajudando nossos clientes a fazer a transição para a nuvem para reduzir os seus custos operacionais e seu impacto ambiental.
Por exemplo, conseguimos economizar em infraestrutura e energia de TI movendo a nossa solução Philips Electronic Medical Records and Care Management para a nuvem. Isso incluiu uma redução de 15 toneladas nas emissões de CO2 de uma instalação remota e não no local. E com o sistema na nuvem, não há necessidade de manter o data center na instituição.
Junte-se a nós em nossos esforços
A digitalização oferece um escopo tremendo para melhorar o atendimento, beneficiando pacientes, médicos e administradores. Também tem um potencial significativo para reduzir o impacto ambiental da saúde. No entanto, só podemos aproveitar esse potencial projetando os nossos sistemas digitais com o propósito de promover o desenvolvimento sustentável e trabalhando em conjunto com outros em nosso ecossistema, como profissionais da saúde, médicos, parceiros de conhecimento e fornecedores.
Em todo o setor, precisamos nos unir a especialistas, por exemplo, do mundo da arquitetura de software, para garantir as decisões e trocas certas para um futuro sustentável. Duas perguntas importantes vêm à mente para esses especialistas:
- Em sua opinião, quais são as áreas mais importantes onde precisamos projetar softwares e modelos de dados sustentáveis?
- Onde você vê a digitalização tendo o maior impacto possível no desenvolvimento sustentável, tanto social quanto ecologicamente?
Estamos interessados em desenvolver as nossas próprias experiências e aprender com as ideias e melhores práticas dos outros. Com esse espírito, convido você a participar da discussão sobre a melhor forma de alavancar a digitalização para melhorar a saúde e, ao mesmo tempo, acelerar o uso sustentável de energia e materiais.
Referências
- Accenture #SMARTer2030. (2015). ICT Solutions for 21st Century Challenges.