Governança de TI em redes multiestabelecimento

Autor: Adriano Fonseca de Oliveira, CIO da Rede D’Or São Luiz

 

Como transformar a governança de TI em um negócio fundamental para a estratégia das organizações de saúde.

 

Tomar decisões importantes sem o apoio de uma governança de TI pode impactar imensamente nas empresas, principalmente em grandes organizações de saúde cujos estabelecimentos estão fisicamente dispersos. Embora muitas instituições compreendam o quanto a TI agrega valor ao negócio, o conceito é amplo, e ainda existem muitas definições e práticas que nem sempre integram uma receita pronta e definitiva. Neste contexto, as ações e práticas de uma boa governança devem começar por promover discussões junto à organização buscando regulamentação dentro dos processos, serviços e políticas internas com o propósito de contextualizar a TI como um negócio.

Diante disso, é possível que você esteja se perguntando: - Afinal, por que a governança é tão importante? Em muitas situações, a TI ainda é vista como uma área de apoio ou suporte, isso também faz parte do seu escopo; todavia, é muito importante que esses profissionais se posicionem mais e mais como protagonistas do negócio e mostrem o quanto a sua atuação junto às demais áreas da empresa constitui efetivo valor.
Incorporada ao negócio, é fundamental que a TI esteja inserida em todos os níveis da organização – estratégico, executivo, operacional e funcional –, assim poderá desenvolver uma postura proativa nas discussões e influenciar positivamente em decisões importantes.
Especialmente na saúde, em que há um grau de oportunidades muito alto, o desenvolvimento do segmento está intrinsecamente ligado à atuação de planejamento e estratégia que a governança de TI pode proporcionar.

Como estabelecer uma governança de TI
 

Existem boas práticas de mercado, bibliotecas de conhecimento, certificações e muitas metodologias aplicáveis para os diversos segmentos e empresas. Mas como mencionado anteriormente, não há uma receita pronta, cada empresa deve avaliar e elaborar seu próprio plano.

 

É preciso identificar, efetivamente, as necessidades da organização: o nível de maturidade, a cultura existente e as pessoas que lideram o negócio; isso posto, através das ferramentas existentes e de boas práticas de mercado já se pode pensar em um plano para a sua necessidade.

 

Evidentemente, essa governança deve estar alinhada ao plano estratégico de TI, que, por sua vez, precisa estar alinhado ao planejamento estratégico da empresa.

 

Em uma visão geral, as mudanças são muito recorrentes e acontecem em velocidade elevada, mas, mesmo que os ajustes sejam necessários, um plano estratégico de médio e longo prazo precisa ser estabelecido. Isso é fundamental, em especial porque qualquer processo relacionado à governança gerará grandes mudanças culturais na empresa.

Transformação do gigante multiestabelecimento
 

A Rede D’Or vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. São trinta hospitais que fazem parte da rede, mais de 4.200 leitos, quase 13 mil cirurgias/mês e mais de 220 mil atendimentos em emergência. Com quase 35 mil funcionários, a empresa tem um plano de crescimento ainda maior: sua meta é dobrar o número de leitos em 4 anos.

 

No que tange à transformação necessária para garantir que o crescimento seja realizado de maneira estruturada e sustentável a longo prazo, a TI iniciou um extenso processo de análise e definição de um plano de ação. Entre várias iniciativas associadas ao plano de transformação, foi estabelecida uma nova política de TI, pois cada hospital da rede possuia autonomia no que se referia à TI tomando decisões de acordo com a sua própria necessidade. Isso gerou um grau de diversidade de soluções de TI muito grande e, consequentemente, alto grau de complexidade de gestão e de integração e alto custo associado.

É importante ressaltar que grandes redes, como a Rede D’Or, que atuam em um formato de multiestabelecimento, devem se preocupar em estabelecer mecanismos de aceleração do processo de integração de novas empresas adquiridas. Empresas parceiras, como a Philips, e softwares de gestão, como o Tasy, são favoráveis para o sucesso da estratégia do negócio. Um bom exemplo de utilização do sistema Tasy em alguns hospitais da rede é a possibilidade de agenda única para todos os estabelecimentos. A gestão unificada do call center no sistema facilita o trabalho dos profissionais e permite agilidade no atendimento, maior produtividade e uma visão global sobre as atividades. Esse é um dos inúmeros exemplos que envolvem o poder decisivo que a TI pode ter sobre o negócio em sua totalidade.

 

 

Assim, para alcançar a governança efetiva de TI, todos da equipe devem participar e ter a clareza de onde se quer chegar dentro da estratégia estabelecida pela organização.