Os riscos ocultos do ronco

Março 18, 2010

A apneia do sono, doença que atinge 4% dos homens e 2% das mulheres, está associada ao maior risco de hipertensão, arritmia, derrame e diabetes

 

São Paulo, 18 de março de 2010 – Hora de dormir. Mal a noite começa e uma sinfonia de roncos desafina o sono de muitas pessoas. O maestro que segue dormindo não consegue perceber a irritação da plateia. Quem ouve começa a ensaiar o grito: pare de roncar!

 

“O ronco alto e frequente é a principal manifestação clínica da síndrome da apneia obstrutiva do sono”, explica o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, do Laboratório do Sono do Instituto do Coração (Incor) da FMUSP. Cerca de 20% das mulheres e 30% dos homens que habitualmente roncam sofrem da doença.

A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um transtorno respiratório comum caracterizado pela obstrução parcial ou total das vias aéreas, causando paradas repetidas e temporárias da respiração enquanto a pessoa dorme.

 

A respiração cessa porque as vias aéreas colapsam, impedindo que o ar chegue até os pulmões. Como resultado, os níveis de dióxido de carbono no sangue aumentam e o sono é interrompido. “É por isso que os portadores da doença acordam com a sensação de sufocamento e asfixia”, esclarece o pneumologista.

 

A doença pode ser desencadeada por fatores como obesidade – o excesso de tecido dificulta manter a garganta aberta e impede o fluxo contínuo de
ar –, relaxamento da musculatura da garganta e da língua acima do normal (muito comum quando há ingestão de bebidas alcoólicas e remédios para dormir), malformações da mandíbula ou da faringe e falta de coordenação dos músculos respiratórios.

 

Segundo estudos epidemiológicos, a apneia do sono acomete aproximadamente 4% dos homens e 2% das mulheres na idade adulta. A doença é mais comum a partir dos 40 anos de idade, sendo que 44% dos idosos convivem com o problema. A maior parte dos pacientes, entre 85% e 90%, convive com a doença sem receber o diagnóstico correto e o tratamento adequado.

“O indivíduo com apneia geralmente tem sonolência diurna excessiva porque, mesmo dormindo muitas horas por noite, não tem um sono reparador”, afirma a neurologista Rosana Cardoso Alves, do Hospital das Clínicas da FMUSP. Outros sintomas da doença incluem cefaleia matinal, dificuldade de concentração, deficiência neurocognitiva, esquecimento, cansaço crônico, irritabilidade, depressão e redução da libido.

 

Consequências apneia não tratada – “A apneia obstrutiva do sono é um problema de saúde pública”, alerta a pneumologista do Instituto do Sono da Unifesp, Lia Bittencourt. Como grande parte dos pacientes despreza os sintomas e nem todos os médicos estão preparados para identificar a doença, muitos casos seguem subdiagnosticados, aumentando o risco de consequências graves à saúde.

 

Além do impacto direto na qualidade de vida, nos últimos anos, vários estudos clínicos demonstraram a correlação entre os distúrbios do sono e a ocorrência de doenças graves e crônicas, como hipertensão, derrame e diabetes tipo 2.

 

“A apneia obstrutiva do sono está relacionada a 35% dos casos de hipertensão, 50% das arritmias cardíacas, 60% dos derrames e 30% dos infartos”, informa o cardiologista do Instituto do Coração da FMUSP, Rodrigo Pedrosa. Pacientes com diagnóstico de apneia do sono têm entre duas e três vezes maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial e de duas a quatro vezes mais chances de sofrer de arritmias cardíacas. As evidências também sugerem que a apneia do sono é um fator de risco significativo para o derrame, podendo dificultar a recuperação de um acidente vascular cerebral.

 

O diabetes tipo 2 também é mais comum em pacientes com distúrbios do sono, independentemente de outros fatores de risco, pois têm maior risco de desenvolver resistência à insulina.

 

“A identificação precoce da doença previne complicações graves e assegura que no paciente receba tratamento apropriado para alcançar uma melhora geral na saúde”, diz a Dra. Rosana Cardoso Alves.

 

Tratamento – O objetivo do tratamento é restaurar a qualidade do sono e aliviar os sintomas diurnos de sonolência, oscilação de humor, dificuldade de concentração, falta de memória e dor de cabeça matinal. A terapia também proporcionar melhora de algumas doenças cardiovasculares e metabólicas que coexistem com a apneia do sono.

 

Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir os sintomas da doença, como, por exemplo, perder peso, evitar o consumo de álcool à noite, praticar exercícios físicos e dormir de lado. Entretanto, essas medidas nem sempre resolvem em quadros mais graves.

 

O tratamento é definido pelo especialista em Medicina do Sono, levando em consideração fatores como a frequência da apneia, a presença de anomalias anatômicas, a fragmentação do sono, o peso e a idade do paciente.

O tratamento mais indicado para grande parte dos pacientes é a terapia de pressão positiva de ar nas vias aéreas (PAP, na sigla em inglês). A terapia CPAP consiste na aplicação de uma corrente de ar positiva contínua, através da boca e do nariz, mediante o uso de um compressor e de uma máscara nasal.

O tratamento, não invasivo, evita o colapso das vias aéreas durante o sono ao fornecer fluxo suave de ar através das vias respiratórias superiores, permitindo ao paciente respirar livremente. Com isso, a respiração adquire um ritmo regular, os roncos cessam, a qualidade do sono é restabelecida e são reduzidos os riscos de doenças correlacionadas.

“Existem estudos que comprovam que o tratamento com o CPAP é custo-efetivo para pacientes com SAOS moderada e grave, sobretudo porque evita complicações relacionadas à doença”, afirma o Dr. Rodrigo Pedrosa.

“O ideal é que os pacientes utilizem o dispositivo CPAP diariamente, o máximo de horas possível. No entanto, o que se observa é que apenas de 50% a 75% dos portadores da doença seguem o tratamento de forma adequada”, afirma a Dra. Lia Bittencourt, enfatizando a importância da educação para a adesão ao tratamento. Segundo estatísticas, o índice de abandono do tratamento cai de 12% para 1% quando o paciente é instruído corretamente.

Sobre a Respironics

 

A Respironics é líder em fornecer soluções inovadoras para os mercados globais de produtos respiratórios e do sono. O sucesso da empresa remonta a mais de três décadas e seu histórico possui raízes profundas na simplicidade e em uma paixão em apresentar soluções significativas. Essa tradição de inovação, combinada a uma capacidade de prever as necessidades de mercado, é fundamental à empresa. Isso tem feito com que o nome da Respironics seja reconhecido em todo o mundo como a empresa que marca a marcha dos mercados de produtos respiratórios e do sono. A companhia foi adquirida pela Philips em dezembro de 2007.

 

Sobre a Philips

A Philips do Brasil é uma subsidiária da Royal Philips Electronics da Holanda e atua no País há 85 anos. Líder dos mercados locais de eletroeletrônicos, eletrodomésticos portáteis, produtos para cuidados pessoais, lâmpadas, aparelhos de raio X e sistemas de monitoramento de pacientes, a Philips do Brasil atua ainda nos setores de telecomunicações e informática. Outras informações para a imprensa estão disponíveis no site da Philips do Brasil: www.philips.com.br

 

Sobre a Royal Philips Electronics

A Royal Philips Electronics da Holanda (NYSE: PHG, AEX: PHI) é uma empresa diversificada de saúde e bem-estar, com foco em melhorar a vida das pessoas por meio de inovações oportunas.  Líder global em cuidados com a saúde, estilo de vida e iluminação, a Philips integra tecnologia e design ao prover soluções para as pessoas, baseadas fundamentalmente em pesquisas com consumidores e na promessa de marca “sense and simplicity”. Com sede na Holanda, a Philips emprega aproximadamente 116 mil funcionários em mais de 60 países. Com um volume de vendas de 23 bilhões de euros em 2009, a empresa é líder de mercado em soluções para cuidados cardíacos, cuidados com a saúde em casa, soluções eficientes em iluminação e novas aplicações de iluminação, bem como em produtos de consumo e estilo de vida para o bem-estar pessoal, com forte posicionamento em flat TV, barbeadores elétricos, entretenimento portátil e saúde bucal. Mais informações sobre a Philips podem ser encontradas no site www.philips.com/newscenter.

 

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