O que é a apneia do sono?


O que é a apneia do sono?

Março 18, 2011

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é um transtorno respiratório comum caracterizado pela obstrução parcial ou total das vias aéreas, causando paradas repetidas e temporárias da respiração enquanto a pessoa dorme. A respiração cessa porque as vias aéreas colapsam, impedindo que o ar chegue até os pulmões.

 

Entende-se por apneia a interrupção completa do fluxo de ar através do nariz ou da boca por um período de pelo menos 10 segundos nos adultos. Já a hipopneia é a redução de 30% a 50% do fluxo de ar.

 

O colapso das vias áreas superiores ocorre durante o sono quando existe diminuição da atividade muscular que mantém a faringe aberta, o, aumento do tecido ao redor das vias aéreas ou características estruturais que levam ao estreitamento da faringe são fatores de risco para a AOS. Como resultado do colapso da faringe, o ar não consegue chegar até os pulmões, os níveis de oxigênio caem, os níveis de dióxido de carbono no sangue aumentam e o sono é interrompido. Esse ciclo se repete centenas de vezes durante a noite em pacientes com AOS. A maior parte dos pacientes acometidos não tem ideia do problema.

 

A AOS geralmente está relacionada a uma das condições abaixo:

  • Os músculos da garganta e língua relaxam mais do que o normal;
  • As amídalas e adenóides são grandes;
  • A pessoa está acima do peso e o excesso de tecido mole dificulta manter a garganta aberta;
  • O formato da cabeça e pescoço resulta em menor espaço para passagem de ar na boca e garganta.

 

A apneia do sono aumenta a probabilidade do paciente desenvolver doenças potencialmente letais. Está associada ao aumento do risco de hipertensão, insuficiência e arritmia cardíacas, derrame e diabetes.

 

Além do impacto psicológico e na qualidade de vida do paciente, por sintomas como sonolência excessiva, irritabilidade, depressão e esquecimento, a AOS também acarreta perdas econômicas. A doença, no entanto, pode ser facilmente diagnosticada e tratada.

 

Números da doença

 

  • A apneia obstrutiva do sono (SAOS) acomete aproximadamente 30% da população adulta mundial. A maior parte dos pacientes, entre 85% e 90%, convive com a doença sem receber o diagnóstico e continua sem tratamento. 
  • Segundo estudos de prevalência conduzidos nos Estados Unidos, de 5% a 10% dos adultos americanos têm apneia obstrutiva do sono, totalizando cerca de 20 milhões de pessoas. 
  • A manifestação clínica mais comum é o ronco alto e constante, que ocorre em função da vibração das estruturas das vias aéreas superiores durante o sono. 
  • A AOS é provavelmente mais frequente quanto a asma em adultos. Estudos recentes sugerem que até um terço da população pode ter AOS.

 

 

Sintomas da apneia do sono

 

A maioria das pessoas que sofre de apneia obstrutiva do sono não tem conhecimento disso. A condição frequentemente é detectada pelo parceiro de cama, que presencia o ronco alto e eventualmente interrompido durante a noite.

 

Sintomas da apenia do sono

 

Sonolência diurna excessiva

Pessoas que sofrem com a doença frequentemente adormecem com facilidade durante atividades passivas e, em casos severos, durante o trabalho, ao telefone ou enquanto dirigem. No início, o paciente consegue vencer o desejo de dormir, desde que esteja em um ambiente estimulante. À medida que a condição piora, cochilos involuntários ocorrem com frequência.

 

Sono agitado e sem descanso

Portadores de AOS geralmente despertam várias vezes durante a noite. Os despertares costumam ser acompanhados por movimentos do corpo.

 

Ronco alto e interrompido, pausas na respiração, tosse e engasgue durante o sono

Pacientes com apneia do sono parecem se esforçar para respirar enquanto dormem.

 

Depressão e redução da libido

A falta de um sono reparador interfere na produção e no aproveitamento de alguns hormônios. Por exemplo, é durante a madrugada que o organismo secreta o hormônio do crescimento, responsável pela recuperação dos músculos e dos ossos, e a melatonina, que regula o relógio biológico.

 

Esquecimento e falta de concentração

A constante interrupção do sono compromete o desempenho intelectual geral. O paciente pode apresentar lapsos de memória, enfrentar episódios de esquecimento e ter dificuldade de se concentrar. Dormir bem é fundamental para consolidar as lembranças, pois é durante a noite que o cérebro reprocessa as informações.

 

Irritabilidade

A frustração de estar constantemente sonolento muda a resposta a eventos diários. As pessoas mais próximas ao paciente podem perceber isso como uma alteração na personalidade.

 

Cefaleia matinal

A dor de cabeça ao despertar é uma das manifestações mais frequentes da apneia do sono.

 

Consequências da apneia não tratada

 

As implicações da sobrecarga cardiorrespiratória, provocada pelas repetidas pausas na respiração, incluem problemas como sonolência diurna excessiva, deficiência neurocognitiva, cansaço crônico e irritabilidade.

 

Além do impacto direto na qualidade de vida, nos últimos anos, diversos estudos clínicos demonstraram a correlação entre os distúrbios do sono e a ocorrência de doenças graves e crônicas, como hipertensão, derrame e diabetes.

 

Pacientes com diagnóstico de apneia do sono têm entre duas e três vezes maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial e de duas a quatro vezes mais chances de sofrer de arritmias cardíacas.

 

As evidências também sugerem que a apneia do sono é um fator de risco significativo para o derrame, podendo dificultar a recuperação de um acidente vascular cerebral. O diabetes tipo 2 também é mais comum em pacientes com distúrbios do sono, independentemente de outros fatores de risco, pois têm maior risco de desenvolver resistência à insulina.

 

Segundo estudos que avaliam o impacto econômico da apneia do sono, pacientes sem diagnóstico ou sem tratamento, de modo geral, têm o dobro de despesas com saúde em comparação com as pessoas sem a doença. Além de passarem por 50% mais consultas médicas, os portadores de apneia do sono passam mais tempo internados do que pessoas saudáveis.

 

Questionário do sono

 

O diagnóstico é o primeiro passo para tratar a apneia obstrutiva do sono e evitar os problemas provocados pela doença. Existe um questionário de autoavaliação patenteado pela Philips Respironics, que pode ajudar a identificar sintomas comuns da doença.

 

Algumas perguntas como:

 

1. Você regularmente sente-se cansado, mesmo após acordar de uma noite inteira de sono?     

2. Você adormece facilmente durante seus afazeres domésticos ou no trabalho?           

3. Você ronca alto habitualmente?                                                                                     

4. O seu parceiro(a) de cama presenciou você se sufocando, respirando profundamente ou prendendo a respiração durante o sono?                                                                                                 

5. Você frequentemente sofre de falta de concentração ou de atenção, perda de memória, irritabilidade e/ou mau humor?                                                                                                                                

 

Caso a resposta seja afirmativa para uma ou mais perguntas, é possível que o respondente esteja sofrendo de algum distúrbio do sono. Nesse caso, recomenda-se consultar um médico para fazer um estudo do sono, oferecendo ao especialista as informações necessárias para estabelecer o diagnóstico correto e as opções de tratamento.

 

A polissonografia, que permite testar durante o sono uma série de variáveis, incluindo a atividade cerebral, dos batimentos cardíacos, os movimentos dos olhos, a atividade muscular, o esforço respiratório, a saturação de oxigênio no sangue, o movimento das pernas e outros parâmetros, é o melhor exame capaz de confirmar o diagnóstico de distúrbios do sono.